83 decorrente exclusivamente da pura misericórdia, visto que com a gratidão temporal desses mais esquecidos falecidos já não se podia contar. Tal postura estava muito próxima da sua espiritualidade. Tendo-se despedido com as palavras cordiais do seu testamento do clero, dos amigos e das pessoas da casa, o Bispo Wierzbowski faleceu no dia 6 de março de 1687. De acordo com a sua última vontade, um sepultamento muito modesto realizou-se três dias após a sua morte. O corpo foi sepultado na igreja, na colina do Calvário, debaixo de uma pedra de arenito. Numa pedra foram gravadas as palavras muito humildes que o bispo havia mandado esculpir ainda durante a sua vida: “Deus, que perdoastes ao ladrão convosco suspenso, perdoai também a mim aqui sepultado”98. Um importante acontecimento para a vida dos marianos, que neste ponto ainda vale a pena mencionar, foi a visita do Padre Papczyński ao Bispo Wierzbowski antes da sua morte. Quando o Padre Papczyński pediu ao bispo a bênção para a ordem, este, concedendo-a, disse que lhe deixava em testamento a Providência Divina99. A partir daquele momento foi introduzida na espiritualidade mariana de forma definitiva a piedosa prática das orações à Divina Providência, e o Padre Papczyński empenhou-se pela instituição da Irmandade da Divina Providência junto à igreja no Cenáculo100. Os marianos com base no direito pontifício 24 de novembro de 1699 Com a morte do Bispo Wierzbowski os marianos perderam o seu verdadeiro defensor e protetor. Aproveitaram essa situação os adversários da ordem e renovaram as acusações contra os marianos diante do novo ordinário da diocese de Poznań, o bispo Estanislau Witwicki (1687-1698). Acusavam os marianos afirmando que a congregação não tinha a aprovação pontifícia e, como uma estrutura eremítica e pouco útil, devia ser dissolvida. Ambos os conventos que se encontravam na diocese de Poznań eram inteiramente dependentes do bispo indisposto, que inicialmente até se inclinava a aceitar a solução a ele proposta101. Pioravam a situação os 98 Uma pedra tumular com essa inscrição encontra-se na praça da igreja “na Colina”. 99 Leporini, n. 55. „Hinc ultimate visitans suum Benefactorem Ep. S. Wierzbowski petit ab eo benedictionem paternam, et pro sua Congregatione expostulando inquit: Quid etami nobis sua Celsitudo relinquit in testamento? Cui Episcopus: Divinam providentiam”. 100 ASV, Sec. Brev., Indulg. Perp. Vol. 8 (1735-1758). Indulg. pro Confraternitatibus f. 176 r. 101 S. Sydry, O Stanisław, p. 208. Assim depuseram as testemunhas no processo informativo. Cf. Leporini, n. 40; Positio, Papczyński, pp. 430-431.
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