Os Marianos 1670-1788

84 conflitos interiores na ordem, e os coirmãos, vendo as dificuldades que se acumulavam, em número cada vez maior abandonavam a ordem, recebendo dos confessores com muita facilidade, apesar da proibição, a dispensa dos professados votos simples. Em face de tão numerosas dificuldades, o Padre Papczyński começou a duvidar seriamente se as suas ações estavam de acordo com a vontade de Deus. Talvez esses problemas fossem um sinal de que Deus não desejava que os marianos continuassem existindo? Para dissipar essa incerteza, escreveu uma humilde carta ao superior geral das Escolas Pias pedindo que sinceramente lhe respondesse se devia continuar na congregação por ele fundada ou devia empenhar-se pela volta à ordem dos escolápios102. Não temos a resposta do superior geral, mas parece ser justa a afirmação de que ele lhe aconselhou a permanecer no seu lugar e retirar a congregação da crise em que se encontrava. Pode-se também concluir, a partir da postura e do envolvimento do Padre Estanislau na continuidade da sua ação fundadora, que ele buscou diligentemente diversas formas de superar aquela crise. Visto que conhecia o conteúdo do testamento do bispo Wierzbowski, no qual ele havia recomendado a seus parentes a proteção aos marianos, naquele momento crítico o Padre Estanislau recorreu à proteção da família Wierzbowski. Três importantes representantes daquela família vieram a Góra e ali, no dia 26 de outubro de 1688, proclamaram uma indubitável declaração por força da qual aceitaram os marianos sob a sua proteção, expressando-se a respeito deles com grande reconhecimento e de forma extremamente lisonjeira, ao mesmo tempo advertindo os inimigos deles contra as tentativas de prejudicá-los: “Esta piedosa Congregação, como iniciada na nossa Casa, também para sempre fica aceita sob a proteção nossa e de toda a nossa Casa, o que prometemos cobrir e apoiar com a nossa graça fundadora [...]. Deus não permita que essa Congregação seja arruinada, porque prometemos permanecer ao seu lado”103. A proteção da família Wierzbowski e a dedicação pelo Padre Papczyński do opúsculo passionário Christus patiens ao bispo Witwicki contribuíram para granjear a sua benevolência. Na carta dedicatória, localizada no início da mencionada obra e dirigida a esse bispo, o Padre Papczyński falava dos caluniadores e dos acusadores da ordem, das injustas difamações e acusações, e com con102 S. Papczyński, Carta ao Pe. Aleixo Armini SP, Superior Geral da Ordem das Escolas Pias, Nowa Jerozolima, 23.3.1688, in: Pisma zebrane, p. 1470. 103 Positio, Papczyński, pp. 430-433.

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