60 Cenáculo e fundador da ordem dos marianos? Esse fato espantoso é registrado por um atual pesquisador da história de Góra Kalwaria: “De todo o conjunto, que contava cerca de 35 capelas, seis igrejas e cinco conventos, preservou-se até hoje em seu estado primitivo uma única igreja, a do Cenáculo”27. Margarida Borkowska, que se dedicou à história de Nova Jerusalém, sugeriu a hipótese de que podia até tratar-se de uma construção provisória, que no futuro devia ser substituída por algo mais imponente, mais belo28. Mas como era essa fundação, só ficamos sabendo das descrições do século XIX, embora também, infelizmente, pouco numerosas. Uma descrição preservada de 1822 informa: “A igreja da Ceia do Senhor [...] as suas dimensões são: comprimento 40 pés, largura 36; as paredes dessa igrejinha são de alvenaria, o teto de madeira, o telhado coberto de tabuinhas, a torrezinha com uma sineta no centro, 3 altares pobres e um pequeno órgão, 11 pequenas janelas, a porta de entrada grande e uma outra pequena que dava para o convento”29. As diversas reformas posteriores permitiram descobrir os fundamentos do antigo convento, o seu formato e os restos dos seus muros. O Pe. Eugênio Makulski apresenta a seguinte descrição: “Após a retirada do gramado foram descobertos, perfeitamente conservados, os fundamentos do convento destruído. Os fundamentos, com a largura de 60 cm, foram construídos de pedras do campo e de tijolos. Um trabalho muito malfeito. As paredes que se encontravam sobre essa base deviam ser muito leves. Das escavações realizadas resulta que o pequeno convento envolvia a igreja de três lados e apoiava-se nela. Junto à parede da igreja havia um corredor de 1,5 m de largura, do qual se entrava nas diversas celas com as dimensões 3x3. A construção devia ser muito baixa, visto que as janelas da igreja encontravam-se logo acima do telhado do convento, apoiado na parede da igreja”30. Do lado direito, olhando do altar (onde hoje se encontra o sarcófago), encontrava-se o altar de S. Rafael, e do esquerdo, o de S. Miguel Arcanjo. Tratava-se de santos excepcionalmente cultuados pelo Padre Estanislau, que pessoalmente havia trazido as suas imagens de Roma, com destinação para essa igreja. No centro do santuário havia uma grande mesa com tampo de mármore, e sobre ela “o Crucifixo, a represen27 Andrzej Liczbiński, Góra Kalwaria – lokacja i układ przestrzenny miasta, „Kwartalnik Architektury i Urbanistyki”, t. 2 (1957), n, 3/4, p. 207. 28 Małgorzata Borkowska, Dzieje Góry Kalwarii, Kraków 2009, p. 176. 29 S. Sydry, O. Stanisław, p. 151. 30 Eugeniusz Makulski, Dziedzictwo. Odbudowa kościoła Wieczerzy Pańskiej w Górze Kalwarii, Wrocław 2001, pp. 58-59.
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