Os Marianos 1670-1788

391 da Ordem”. Antes de mais nada os marianos deviam empenhar-se pela dependência direta da Santa Sé, o seu procurador devia residir permanentemente em Roma, e os marianos que se encontravam em Roma não podiam residir no convento franciscano, mas tinham que encontrar para si uma sede autônoma185. Após essa consulta o Padre Spourny dirigiu-se à Congregação para as Causas dos Bispos e dos Religiosos, na qual lhe foi informado que para solucionar a questão apresentada era indispensável que fossem fornecidas pelo núncio na Polônia informações a respeito da ordem, do seu estado, da incorporação aos reformados, se ela ocorreu voluntariamente ou sob coação e por quais razões. Infelizmente, os esclarecimentos, as intervenções e as respostas aos pedidos apresentados prolongaram-se por meses, prolongado por anos o tempo da espera pelo seu favorável encerramento. Vendo essas dificuldades, o Padre Spourny propôs ao superior geral dos marianos Pe. Raimundo Nowicki o caminho dos fatos consumados e um delicado e silencioso afastamento dos reformados. Primeiramente sugeriu que para o próximo capítulo geral, em 1779, a presidência do capítulo não fosse pedida aos reformados, mas ao cônego ou ao decano mais próximo186. Tratava-se de um passo corajoso, porquanto, com base nos decretos relacionados com a incorporação dos marianos aos reformados, o comissário reformado convocava, presidia e confirmava o capítulo geral dos marianos187. O Padre Spourny aceitou essa questão com o Padre Nowicki, e principalmente com o núncio em Varsóvia, Giovanni Archetti, com o qual 185 Cartas, carta de Cândido Spourny, 4. 186 Ibidem, carta de Cândido Spourny, 9. O Padre Spourny até forneceu os nomes de quatro pessoas religiosas às quais eventualmente poderia ser confiada a função de presidente. Nessa extensa carta propôs também o transcurso do capítulo segundo o esquema “utilizado nas outras ordens”. Se o superior geral concordasse, Spourny prometia resolver todas as formalidades pessoalmente com o núncio. Cf. Prot. Rom., carta de Cândido Spourny ao superior geral de 13.2.1779. Nessa carta o Padre Spourny esclarecia detalhadamente ao superior geral a forma de uma lenta separação dos reformados. Sugeria primeiro conversar com as autoridades da província deles na Polônia e propor que eles voluntariamente renunciassem a essa incorporação. Caso isso não funcionasse, seria preciso utilizar para esse objetivo primeiramente a Nunciatura em Varsóvia, sem revelar os detalhes da dependência. 187 Prot. Ord. “Incorporação à Ordem Seráfica”, pp. 63-64. O ministro geral dos reformados convocou o capítulo para 1728 em Goźlin e indicou o Frei Antônio Rudzieński como visitador e comissário, para que pudesse “realizar a visitação canônica, admoestar e unir os que erravam, instaurar processos, levar à prisão, privar da liberdade, proferir sentenças e tudo o mais [...]. Recomendamos aos padres e irmãos [...], sob pena de excomunhão, que demonstrem obediência [diante dele]”.

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