Os Marianos 1670-1788

390 outros: os oficiais, os comissários, os procuradores, os assistentes e outras dignidades na nossa Ordem, e os doze conventos, além de várias residências”182. Na apresentação acima dos marianos o Padre Spourny valeu-se de um recurso ao exagero, ao que ainda muitas vezes recorreria em nome do grande desejo de afastar-se dos franciscanos-observantes, chamados reformados. Verificou-se que o superior geral não estava familiarizado com a situação dos marianos e com a situação deles e “após um argucioso diálogo e uma investigação” expressou o seu espanto, perguntando por que e “de que forma [os marianos, uma ordem de plenos direitos] se haviam agregado à Ordem Seráfica”. Após esse encontro, ambas as partes, buscando em suas cúrias uma eficaz explicação e fundamentação para apoiar a sua posição, procrastinavam o confronto mútuo. Naquele tempo o Padre Spourny continuou a envidar esforços para obter a confirmação da ordem, recomendação que – como foi mencionado acima – ele havia recebido do seu próprio capítulo geral. Essa ação era indispensável, porquanto uma das principais acusações dos adversários dos marianos era a de que a ordem havia sido aprovada unicamente pelo núncio e que, portanto, eles não possuíam o privilégio da confirmação por força de uma bula papal, que tinha uma posição legal mais elevada. No entanto a obtenção da confirmação por força de uma bula papal relacionava-se com elevados custos, a respeito do que o Padre Spourny escrevia: “[Essa] Bula nós mal poderíamos pagar com os nossos capitais”183. Por isso reconheceu que seria suficiente uma confirmação em forma de breve pontifício e por ele se empenhou. Igualmente o procurador Pe. Norberto Gołkowski confirmou numa carta ao Pe. Raimundo Nowicki que pela bula confirmatória da ordem seria preciso pagar à Congregação das Causas dos Bispos e dos Religiosos 150 escudos, enquanto o breve custaria apenas 50 escudos184. Para tratar da confirmação da ordem, que era um passo indispensável no caminho da independência dos reformados, o Padre Spourny mais uma vez se dirigiu ao superior geral dos franciscanos e, reportando-se ao diálogo anteriormente mantido, pediu orientações. O superior geral apresentou-lhe as condições que seria preciso cumprir “para obter a confirmação 182 Ibidem, carta de Cândido Spourny, 3; cf. carta de João Niezabitowski, 4. 183 Ibidem, carta de Cândido Spourny, 4, conclusão. 184 Prot. Rom., carta de Norberto Gołkowski ao superior geral de 17.9.1785. Na carta do dia 25.2.1786 ele escreve: “Por isso peço muito, pelo amor de Deus, da ordem e do próximo, que o Reverendíssimo providencie quanto antes esse dinheiro de acordo com o que antes escrevi, o que representa: A Bula, pela qual devo pagar 150 escudos, e o Breve, pelo qual devo pagar 50 escudos, para que eu possa dar conta disso sozinho”.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==