Os Marianos 1670-1788

388 em palavras bastante ásperas: “Em algumas outras secretarias propositalmente, pior que os demônios, apresentavam todos os obstáculos que podiam”, esclarecendo a seguir: “Ao chegar a Roma com o Pe. João, encontrei ali diversas armadilhas preparadas pelos frades que antes de nós ali tinham vindo, porque haviam sido informados e advertidos sobre a nossa causa pelo ex-comissário [deles]”174. Fornece também muitos fatos sobre a ampla e inescrupulosa ingerência dos reformados na vida e na atividade dos marianos. Por isso, na Congregação para as Causas Religiosas pediu “um procurador auxiliar [...], visto que da parte deles [dos reformados] a minha Ordem se defronta continuamente com diversas dificuldades”175. As acusações apresentadas contra os reformados são muito sérias e parecem ser exageradas, mas acusações semelhantes e em palavras igualmente fortes são apresentadas por João Niezabitowski em algumas cartas dirigidas ao superior geral: “Até quando vamos nos submeter, murmurando, ao domínio alheio, tendo os límpidos direitos do nosso Patriarca [Padre Fundador]? É tempo de nos livrarmos dessa sujeição, na qual na Polônia [ilegível] nos introduziu. Não nos calemos, porque aqui o silêncio não é uma virtude. [...] Não precisamos temer Roma nem a grandeza dos nossos protetores, porque mais [do que eles] valerá uma única instância do bispo”176. Afirmações semelhantes se encontram em outras cartas suas que se preservaram. O Padre Spourny tinha consciência de que o processo da separação dos franciscanos não seria fácil nem simples, e realmente durou dez anos. Informava ao superior geral que na realidade havia recebido com relação a esse assunto uma recomendação da Polônia, mas que ela era insuficiente. Era indispensável o apoio de todos os marianos e, portanto, cada mariano tinha que ser disso convencido. Recomendava “que nos afastemos aos poucos da jurisdição daqueles frades sobre nós [...] para dessa forma fazerlhes ver e mostrar que tal supremacia não foi por nós solicitada”177. Aconselhava que fossem indicadas pessoas de adequadas qualificações para os cargos, a exemplo das outras ordens, que fossem modificadas a regra e as constituições, de maneira que ali nada houvesse que fosse indigno dos marianos, a eles prejudicial ou desnecessário. Tanto da correspondência do 174 Ibidem. 175 Ibidem. 176 Ibidem, carta de João Niezabitowski, 5, de 14.11.1777; cf. também carta 3, de 16.8.1777. 177 Ibidem, carta de Cândido Spourny, 4. Cf. também acusações semelhantes contra os reformados e o Pe. Joaquim que surgiram na Polônia em razão da chamada dispersão de Rostkowski. Nelas o Pe. Joaquim é chamado “traidor que vendeu os marianos aos reformados”. Doc. Vilnen., F4-A 166 (esparsos), fasc. 7.

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