Os Marianos 1670-1788

387 tal grau de dependência era uma ilegalidade e de que a jurisdição exercida pelos reformados sobre os marianos era infundada. Em suas cartas ele esclarecia a gênese de tal dependência, o processo do seu aprofundamento e o seu desenvolvimento histórico. Nessas cartas fazia uma análise muito crítica e uma avaliação negativa das relações mariano-reformadas, apontando a sua nocividade para o desenvolvimento da ordem dos marianos. Como o principal culpado por essa dependência apontava enfaticamente o Pe. Joaquim Kozłowski, que com base nos reformados queria tornar-se o fundador dos marianos e o patriarca da ordem. Nas cartas ao superior geral arrolou as suas numerosas culpas, as suas negligências e os seus abusos. Na conclusão da sua argumentação, avisou: “Além dessas claras provas, há ainda outros indícios de que o Padre Joaquim incorporou ilegalmente a nossa ordem a uma outra ordem, entregou os nossos superiores gerais à subordinação, introduziu nas Constituições a obrigação de trazer comissários franciscanos para o Capítulo [...]. Para a perdição final da nossa ordem, e para novamente se tornar superior [geral], trouxe para o capítulo um frade [reformado] e teve a coragem de permitir a esses irmãozinhos que aqui e ali estragassem a nossa regra”172. Apontou para a absoluta necessidade do afastamento dos reformados e apresentou um programa que permitiria aos marianos separar-se deles. Esclarecia que em Roma os canonistas expressavam o seu enorme espanto vendo essa ilegal dependência dos marianos dos reformados, explicando que muitas ordens escolhiam a regra de S. Agostinho ou de S. Bento, mas que isso não implicava nenhuma dependência legal. Por isso, a primeira tarefa que se colocou era conscientizar os marianos na Polônia, “botar da cabeça deles e mostrar que tal dependência sobre nós é imposta”. Entretanto isso exigia a aceitação da sua atividade em Roma pela administração mariana e a obtenção de um amplo apoio dos coirmãos no conflito com os reformados. A segunda tarefa nessa questão, como ele mesmo escreveu, era “sobretudo mostrar claramente a todos os frades” que a jurisdição deles sobre os marianos era inteiramente infundada, e a seguir preparar sólidos documentos e “purificar do joio semeado pelos reformados”173 a regra e as constituições marianas. Não se tratava de uma tarefa fácil, visto que nesse caminho se acumulavam diversos obstáculos. Um deles, bastante significativo, era a reação desfavorável diante de alguns reformados diante de tais iniciativas, que o Padre Spourny avaliou 172 Cartas, carta de Cândido Spourny, 4. Cf. Cap. Gen 1702/1-5. O primeiro capítulo mariano sob a presidência do reformado Frei Luís Borzewski. 173 Ibidem.

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