Os Marianos 1670-1788

385 diversas. Em 1782 os marianos portugueses removeram o Padre Fischer do cargo de comissário, ilegalmente elegeram um português e afastaram-se da união com a ordem na Polônia. Um ano depois o Padre Aleixo, que foi o principal promotor da causa da beatificação do Padre Casimiro em Portugal, faleceu em Balsamão. Naquele tempo as ordens religiosas em Portugal, dominadas pelo espírito laico e liberal, estavam vivenciando uma séria crise. Nos círculos iluministas eram visíveis as influências do jansenismo. Advertia a esse respeito, numa carta a Roma do dia 29 de novembro de 1787, o Núncio Carlo Bellisoni: “Os assuntos dos religiosos são deixados de lado e ignorados, e não se sabe como tudo isso vai terminar”166. Uma grande multidão de religiosos queria afastar-se dos conventos, pedindo a secularização. Havia também dificuldades de natureza financeira. Os três conventos portugueses não tinham condições de arcar com os custos da beatificação167. Por sua vez a Polônia, assolada pelas guerras, enfraquecida pela difícil situação econômica e dominada política e militarmente, lutava sobretudo pela sua existência e sobrevivência. Da mesma forma as ordens religiosas, ameaçadas por diversas limitações e restrições, com dificuldade encontravam o seu espaço na nova situação política, social e religiosa sob o governo da Prússia protestante e da Rússia ortodoxa. O encerramento dos processos apostólicos “super virtutibus et miraculis in specie” devia ser o processo realizado em Roma, para o que o postulador geral Padre Spourny obteve a autorização do Papa Pio VI. Ele preparou os adequados artigos e as perguntas que deviam ser apresentadas às testemunhas. Segundo o Pe. Boleslau Jakimowicz, essa etapa do processo não se realizou, visto que não chegaram a Roma os documentos dos processos de Poznań e de Bragança168. Igualmente as meticulosas buscas nos arquivos vaticanos não permitiram encontrar qualquer vestígio do processo acima. Nessa questão, em consequência de acontecimentos de natureza política e religiosa, tanto na Polônia como em Portugal reinou até 1955 o absoluto silêncio, embora neste ponto seja preciso enfatizar que o culto do Padre Casimiro, especialmente no santuário mariano de Balsamão, esteve sempre vivo, e a certeza da sua piedosa vida e da sua santidade continuou atraindo 166 Positio, Wyszyński, p. 520. 167 Vargas, Memória, p. 38. O Padre Aleixo Fischer, na carta de 23.1.1783 ao superior geral Pe. Raimundo Nowicki, escreveu que lhe parecia impossível levar adiante esse processo em razão dos significativos custos com ele relacionados e da exigência de inquirir testemunhas na Polônia, em Roma, em Lisboa e em Balsamão. 168 Positio, Wyszyński, pp. XCVI, 486.

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