Os Marianos 1670-1788

371 centro de retiros e de exercícios espirituais94. Sabemos também que numa carta ao Santo Padre o Pe. José Sarti pediu para poder residir no convento de S. Vito juntamente com sua família, como residente legal, com direitos à igreja e ao convento, e para dispor do modesto patrimônio que havia sido deixado pelos marianos95. Mas não conhecemos o destino subsequente desse último mariano italiano. Faltam também dados a respeito do número dos candidatos que queriam ingressar ou que ingressaram nos marianos no convento de S. Vito. Das cartas de Roma resulta que os italianos se apresentavam de bom grado aos marianos, mas que não eram bem vistos. Até o Arcebispo Camuccio advertia contra eles o Padre Spourny dizendo que eles eram “membra mortua, pessoas alienadas que, não podendo viver de outra forma, foram levadas pela miséria a ingressar na vida religiosa”. Da mesma forma fazia deles uma avaliação muito negativa o pe. Tadeu Białowieski: “Se alguma vez a nossa ordem se defrontou com alguma fatalidade, nenhuma foi maior do que quando foram aceitos esses italianos”96. Igualmente o Padre Norberto informava o superior geral: “Não estou disposto a aceitar os italianos, porque, quando o seu número for maior, eles assumirão tudo e nos expulsarão. Estou impondo duas condições (barreiras): que o candidato tenha consigo 30 escudos e que vá fazer o noviciado na Polônia e ali trabalhe onde a autoridade religiosa lhe indicar”97. Numa outra carta pedia ao superior geral: “Não enviar [os italianos da Polônia], porque esses italianos não servem para nada a não ser para celebrar Missas”98. Das cartas preservadas resulta que entre essas duas nacionalidades faltava no convento de S. Vito a confiança, a compreensão, a benevolência fraterna e até o simples respeito. Os documentos preservados, especialmente aqueles nos arquivos vaticanos, permitem-nos estabelecer os nomes de pelo menos dez marianos italianos que foram ordenados e passaram por alguma formação no convento de S. Vito. Torna-se difícil explicar o fato de que, desses dez, nove se afastaram da ordem, e permaneceu somente um, o acima mencionado 94 Giovanni Biasotti, Le diaconie Cardinalizie e la Diaconia S. Viti in Macello, Roma 1911. 95 ASV, Reg. Regularium, vol. 206, Mariani - J. Sarti. 96 Prot. Rom., carta de Tadeu Białowieski ao superior geral de 28.3.1786. Nessa carta ele informava ao superior geral que os italianos não observavam qualquer disciplina. Saíam sem permissão para fora do convento. Diziam com orgulho: “Io sono romanus”, eu sou romano, não polonês. O mariano Pe. Scarzelli duas vezes ameaçou em público matar Białowieski. 97 Ibidem, carta de Norberto Gołkowski ao superior geral de 6.8.1785. 98 Ibidem, carta de 7.8.1784.

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