Os Marianos 1670-1788

367 temor, e propriamente desde o primeiro dia da estada deles ali ficaram pensando na volta à Polônia. O Padre Koprowski assim relatava: “A roupa destruída pela viagem, o hábito também, os sapatos estragados. No convento se passa fome e frio, a alimentação é de fome e não temos nem um tostão”76. Ele suplicava ao superior geral que tivesse compaixão dele e lhe permitisse voltar à Polônia, mas – como insinuava o Pe. Emérico Reubau – suas cartas eram interceptadas pelo Padre Spourny77. A situação no convento era tensa e deprimente e, além disso, o advogado Giovanni Allegiani se envolveu num conflito com o Padre Spourny por motivos financeiros e pessoais. Os padres Félix Hadrawa, Emérico Reubau e Juliano Koprowski não cessavam com os seus insistentes pedidos para deixar Roma78, e especialmente o Padre Juliano, sentindo-se física e psiquicamente muito mal no convento de Roma, “queria viajar à Polônia por todos os meios, pedindo por amor de Deus ao padre procurador que o libertasse daquele lugar [...], pedidos que o procurador negava laconicamente”79. Infelizmente, em breve o Pe. Koprowski ficou gravemente doente e no dia 22 de setembro de 1781, com a idade de trinta e dois anos, veio a falecer80. 76 Prot. Rom., carta de Juliano Koprowski ao R. P. Leitor de 20.12.1780. A sua carta é impregnada de amargura e de acusações contra o Pe. Spourny. “Todos aqui gememos, e eu gostaria de voar à Polônia como um pássaro, porque na verdade ninguém acredita no que aqui temos que suportar. [...] Quando aqui cheguei com o Pe. Emérico, tivemos que dormir algumas noites no chão, sem roupa de cama, como cães, sem uma mesa, sem uma cama, sem uma banqueta”. 77 Ibidem, carta de Juliano Koprowski ao superior geral de 23.12.1780: “Queira Vossa Reverendíssima obstar novas brigas, porque já não podemos dar conta [...], ou ele deve ser admoestado, ou a nós deve ser enviada a obediência [para a volta à Polônia], mas através do advogado, porque o procurador [Pe. Spourny] não a entregaria a nós”. 78 Ibidem, carta de Félix Hadrawa ao superior geral de 23.9.1780; ibidem, carta de Félix Hadrawa ao superior geral de 23.12.1780; ibidem, carta de Emérico Reubau ao superior geral de 21.10.1780. 79 Ibidem, carta de Emérico Reubau ao superior geral. Carta em que Emérico Reubau informava a respeito da situação no convento, da morte e do sepultamento do Pe. Juliano Koprowski: “O Spourny trouxe os religiosos para aqui residirem sem pensar no seu sustento. Por isso, não é de admirar que de em razão do pesar e dos desgostos uns ficam doentes, outros morrem. Por isso [o Koprowski], cobrindo-se de lágrimas, dizia: ‘se eu trabalhasse de peão para um camponês, ele me daria um burel, calçado e comida, e aqui, servindo à ordem, é esta a recompensa que tenho’”. Emérico Reubau afirmava que a correspondência com o superior geral era retida pelo Padre Spourny. 80 Ibidem, carta de Emérico Reubau ao Pe. Raimundo Nowicki de 29.9.1781. Nessa carta ele descreveu a doença e a morte do Pe. Juliano Koprowski, enumerou os custos do sepultamento e o seu transcurso. Pedia ao superior geral que cobrisse as despesas do sepultamento, para o qual haviam emprestado dinheiro com esta justificativa: “Nós não temos condições de pagar, visto que eu e o Padre Félix [Hadrawa], com as duas Missas celebradas por dia, não podemos alimentar cinco religiosos, o que para nós é muito pesado”.

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