Os Marianos 1670-1788

364 tempo estabelecidas em Roma, que defendiam os seus direitos e privilégios adquiridos e com muita aversão aceitavam o estabelecimento de novas famílias religiosas na Cidade Eterna. Lembremos o fiasco em que resultaram as tentativas da aquisição da igreja prometida ao Padre Wyszyński pelo Cardeal Caraffa, que justamente por essa razão terminou as tratativas dizendo: “Há uma dificuldade, porque em Roma não querem mais novas ordens”62. Com uma oposição semelhante defrontou-se também o Padre Spourny. Por isso, desde o momento do acordo para a compra do núcleo de S. Vito, ou seja, desde 25 de fevereiro de 1779, até receberem a aprovação e a autorização para a instituição canônica do convento, por um ano e meio os marianos realizaram negociações com representantes de diversas ordens. Nisso lhes serviram de ajuda importantes protetores. Por exemplo, concedeu-lhes o seu apoio o Rei Estanislau Augusto Poniatowski, que numa carta encaminhada a Pio VI recomendou a causa deles e expressou o desejo de que eles pudessem possuir em Roma a sua própria sede63. Igualmente o Príncipe Sapieha, grão-chanceler da Lituânia, interveio junto ao núncio em Varsóvia, enfatizando numa carta a ele os méritos dos marianos e a necessidade da estabilização deles em Roma64. A esse respeito teve um grande significado a pessoa do Arcebispo Camuccio, que em Roma gozava de respeito e autoridade. Ele mesmo se considerava um amigo dos poloneses e dos marianos e até o final se mostrou fiel em lhes demonstrar a benevolência. O Padre Spourny pediu também a intercessão do Padre Tomás Antici, influente ministro a serviço da Polônia junto à Santa Sé, de quem era amigo65. Conhecia também pessoalmente o núncio em Varsóvia Giovanni Archetti. Também sob a influência do Padre Nowicki o clero do decanato de Garwolin encaminhou à Santa Sé uma carta de intercessão na qual se elogiavam os trabalhos e o envolvimento pastoral dos marianos e se pedia a benevolência na questão do posto em Roma66. Finalmente também o abade dos cistercienses, a quem cabia o governo do convento, conhecendo as dificuldades financeiras dos marianos, demonstrou-lhes a sua compreensão verdadeiramente fraterna e a sua benevolência. No acerto final de contas, que foi realizado no final de 1778, concordou que os marianos 62 Wyszyński, Diariusz, p. 376, 16.2.1752. 63 Cartas, carta ao superior geral de 6.5.1778. “No ano passado recebi uma carta do rei...”. 64 ASV, Archivio Nunziatura di Varsavia, vol. 131. Regolari-Lettere, t. IV, da Mariani a Trinitari, an. 1780. 65 Cartas, carta de 15.12.1777. 66 J. Vaišnora, Mariani Romae, p. 27.

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