Os Marianos 1670-1788

361 porque o Padre Spourny ficou gravemente doente e, temendo a morte, urgentemente o chamou a si, tanto mais porque os frades reformados, suspeitando que estivesse com tuberculose, o removeram do convento Ara Coeli46. Naquele mesmo tempo o superior geral dos franciscanos propôs aos marianos a compra “da igrejinha e do pequeno convento de S. Efrém”, uma propriedade dos franciscanos, mas também nesse caso mostrou ser um sério problema conseguir a soma adequada para o pagamento47. Após diversas e penosas buscas e derrotas, no início de 1779 ambos os padres chegaram à conclusão de que não havia nem haveria um lugar melhor que a igreja de S. Vito48. No dia 13 de fevereiro de 1779 cada um deles escreveu uma carta ao superior geral explicando: “O assunto da compra da igreja de S. Efrém dos conventuais é muito difícil por razões financeiras”49. O Padre Spourny esperava que, por benevolência, os reformados não exigiriam um preço muito elevado. No entanto a soma por eles fornecida mostrou ser inaceitável. A compra da igreja de S. Vito era uma oferta mais vantajosa, visto que se tratava de uma diaconia cardinalícia e a sua manutenção, segundo os privilégios, cabia sempre a um dos cardeais, embora nem sempre isso fosse cumprido50. A igreja de S. Vito, situada num lugar importante e favorável na proximidade da basílica de Santa Maria Maggiore, era três vezes maior que a capela de S. Efrém. Segundo João Niezabitowski, proporcionava também a esperança de vocações italianas, visto que lhe cabia a obrigação de catequizar a juventude masculina duas vezes por mês em quatro línguas: italiana, alemã, espanhola e francesa, o que oferecia a possibilidade de um contato direto com a juventude, além de fornecer razoáveis lucros51. O problema era, no entanto, a falta de um 46 Ibidem. Em sua carta João Niezabitowski informou sobre a postura inamistosa dos reformados com que se defrontou Cândido Spourny durante a doença, citando as suas palavras: “Quando eu já me encontrava à beira da morte, os obstinados Frades insistiam fortemente com o Padre João [Niezabitowski] que ele procurasse sem falta retirar-me do convento deles. O Pe. João, acreditando que a minha vida estava no seu ocaso, achava que tal mudança era desnecessária, e a procrastinava de um dia para outro. Mas o advogado, tendo tomado conhecimento dessa desumana postura, ordenou que eu fosse transportado à sua casa numa liteira [...] e mandou vir o melhor médico”. 47 Ibidem, carta de João Niezabitowski ao superior geral de 17.10.1778. 48 Cartas, uma extensa carta, com muito profunda argumentação, encaminhada no dia 15.7.1778 ao superior geral. 49 Prot. Rom., carta de Cândido Spourny ao Pe. Raimundo Nowicki de 13.2.1779. Os reformados estavam exigindo pela sua pequena igrejinha sete mil escudos. 50 Ibidem, carta de João Niezabitowski ao Padre Raimundo Nowicki de 13.2.1779. Naquele tempo tratava-se da igreja titular do cardeal diácono Andrea Negroni. 51 Ibidem, carta de Cândido Spourny a João Nowicki de 13.2.1779.

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