Os Marianos 1670-1788

359 Para o superior geral Raimundo Nowicki conseguir dois mil escudos, ou cerca de dezesseis mil zlótis poloneses, era um problema insolúvel, mas também para isso o Padre Spourny encontrou uma solução explicando que na realidade os conventos marianos não eram ricos e voluntariamente não dariam um tostão para Roma, mas que “há capitaizinhos mais livres nos conventos [...], que são propriedade de toda a ordem”. Propôs ao superior geral que dos capitais do convento de Mariampol fossem retirados oito mil zlótis, ou o valor de mil escudos, “sem desnecessariamente referir-se ou recorrer à aprovação do capítulo ou da congregação”. E, quando isso fosse gasto, “os menos respeitados censurarão tal procedimento, mas sei que os Reverendíssimos Padres sensatos o elogiarão”37. E prometia conseguir os outros mil escudos de benfeitores, que em Roma já tinha em vista. Porquanto acreditava categoricamente que para o desenvolvimento da congregação “é indispensável que o nosso próprio procurador resida sempre em Roma”38. Para conquistar a benevolência da administração dos marianos apresentava a visão do desenvolvimento do núcleo e da abertura do convento a estrangeiros, o que seria feito “para a felicidade da nossa ordem. Não nos envergonharíamos de confessar isso, mas numa parte do convento, na verdade não tão amplo, em caso de necessidade haveria espaço suficiente para 20 [pessoas], e com o tempo [...], com a ajuda de benfeitores e dos seus legados, esse espaço poderá ser ampliado de maneira que não será pequeno ou apertado para 60 pessoas ou mais”39. Aos que duvidavam, convencia da excelente localização da igreja nas proximidades da Basílica de Santa Maria Maggiore e dos palácios dos cardeais, bem como do clima salubre naquele lugar. Informava também ao superior geral que se tratava de uma ocasião excepcional, porque em Roma era difícil adquirir uma igreja40, e os cistercienses só a estavam vendendo porque queriam salvar a sua importante mas decadente sede em Constantinopla. Advertia também o superior geral de que, se a ordem não aproveitasse aquela proposta, que era uma oportunidade para o desenvolvimento dos marianos, voltaria “novamente às igrejinhas particulares antes pretendidas, mas elas nunca 37 Ibidem. 38 Cartas, primeira carta de Cândido Spourny ao superior geral, de setembro de 1777 [s. d.]. 39 Cartas, carta de Cândido Spourny de 15.12.1777. 40 Prot. Rom., carta de Cândido Spourny ao Pe. Raimundo Nowicki de 12.7.1782. Três anos após a instituição do núcleo de S. Vito, Cândido Spourny, decepcionado com a situação em Roma, escrevia ao superior geral: “Não teria sido melhor outrora ter ocupado a minha mente com algo diferente, com qualquer asneira, do que ter pensado num convento em Roma?”.

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