Os Marianos 1670-1788

358 cento para as suas despesas, ou seja, 300 escudos anualmente; em terceiro lugar, até o fim da sua vida devia ter asseguradas no convento uma digna residência e alimentação, pelo que em seu testamento oferecia uma boa recompensa. Reportando-se a essas condições, o Padre Spourny apresentou as suas objeções: em primeiro lugar, de onde os marianos teriam que tirar os dois mil escudos faltantes para pagar aos cistercienses pela igreja e pelo convento de S. Vito? Em segundo lugar, se em Roma houvesse poucos marianos, quem celebraria as duas Missas diárias pelo benfeitor, ou “do que viveriam eles” se não pudessem aceitar intenções? Em terceiro lugar, será que eles dariam conta de pagar todos os anos os 6 por cento da importância doada, ou seja, os 300 escudos? Ele apresentou ao arcebispo os seus profundos receios diante da transação acima, considerando até que esse empreendimento era irreal e dizendo que havia escrito ao superior geral somente por pressão do arcebispo. Entretanto, após reexaminar a proposta do arcebispo, começou a defender a ideia dessa compra afirmando que “trata-se de uma obra da Providência Divina, que nesta etapa inicial nos apresenta um tão grande benfeitor, que tão generosamente nos fornece nesta necessidade uma tão significativa importância, para introduzir e consolidar por enquanto em Roma, e depois [...] em todo o Estado italiano, o nosso ainda desconhecido Instituto, o que dentre milhares um outro tão facilmente não ousaria fazer”35. Na continuação da carta ao superior geral o Padre Spourny não esconde o seu espanto pelo fato de tão importante legado ser destinado a desconhecidos, estrangeiros, não a italianos, entre os quais havia milhares de dispostos. Afirma que deve se encontrar nisso a mão de Deus, que não pode ser rejeitada. Ao mesmo tempo assinala que o dinheiro aplicado na construção não vai produzir juros, “mas é preciso levar em conta o bem, o proveito e a promoção da ordem”. Assegura também que no futuro haveria ali até dez padres, que haveria vocações italianas e que o convento tranquilamente se manteria somente com os estipêndios das Missas. Aos marianos na Polônia explica que eles não devem ter medo, mas antes concordar com as despesas e os custos relacionados com a residência e o sustento do arcebispo, e isso “não para receber o generoso legado prometido no testamento, [...], mas antes para a nossa boa honra e a nossa proteção, para todos os nossos interesses e para a promoção da nossa ordem junto à Santa Sé, onde esse prelado é muito apreciado e tem grande importância”36. 35 Ibidem. 36 Ibidem.

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