Os Marianos 1670-1788

341 e chamado superior geral dos marianos em Portugal, e ao Padre Fischer foi negada a obediência366. O Padre Spourny, procurador-geral dos padres marianos em Roma, explicou a situação ocorrida numa extensa carta ao superior geral. Ele tentou intervir junto ao bispo de Bragança e ao núncio. “Com o monsenhor Patriarca [Camuccio] me dirigi um cardeal e a outro, mas me responderam que a questão foi rejeitada”367. Ele era enviado de um lado para outro, como no proverbial “de Anás a Caifás”. O Padre Spourny enxergava uma das causas desse estado de coisas na falta da confirmação da ordem. A questão da separação dos marianos dos reformados já estava bastante avançada. Sabiam disso os reformados, que, segundo Cândido Spourny, haviam aproveitado a ocasião para punir os marianos. Com esse objetivo um dos mais importantes reformados veio “ardilosamente” a Balsamão, sublevou os religiosos e convenceu o pároco local de que lhe eram devidos os dízimos de Balsamão e de que devia reclamá-los dos marianos. Para as suas maquinações conquistou o bispo de Bragança, que com muita força insistia no rompimento com a Polônia e na transferência do convento de Balsamão à sua jurisdição368. Assim terminou o processo da independência da comunidade mariana portuguesa da ordem na Polônia. Alguns dados sobre os marianos portugueses preservaram-se ainda do ano 1786. Naquele ano o mencionado Padre Vicente, comissário geral, tendo recebido informações sobre as providências dos marianos em Roma relacionadas com a reforma das constituições e a separação dos reformados, não estando certo de que as suas ações estavam de acordo com a lei, encaminhou uma carta ao núncio em Lisboa e ao superior geral na Polônia369. Nessa carta ele esclarecia a situação ocorrida, informando que os marianos em Portugal haviam sido forçados pelo bispo de Miranda e pelas autoridades governamentais e eleger um comissário independente e a romper com a administração geral e que então toda a sua atividade religiosa e administrativa estava baseada na jurisdição do bispo. A carta é cheia de respeito ao superior geral. Fornece também informações gerais sobre os núcleos em Portugal, sobre os marianos, a sua instrução e as suas funções. Segundo esses dados, o “Comissariado português” contava vinte e seis membros, sendo: oito padres, três estudantes de teologia moral que já eram padres, nove estudantes de filosofia, dos quais 366 B. Jakimowicz, O. Aleksy Fischer, p. 61; Vargas, Memória, p. 44; Prot. Bals., 241. 367 Cartas, carta de Cândido Spourny ao superior geral, 19.7.1783. 368 Ibidem. 369 Prot. Rom., carta do comissário geral Pe. Vicente, de Portugal ao superior geral na Polônia, de 10-2.1786.

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