Os Marianos 1670-1788

335 respondia perversamente: “O rei não concede a autorização que estais pedindo, visto que assim mesmo em Portugal há religiosos em excesso”335. Além disso, os empenhos dos marianos eram prejudicados pelo influente João de Deus. O Padre Fischer, dando-se conta da oposição da corte real diante das ordens religiosas, voltou a Balsamão, enquanto que o Padre de Buffo permaneceu em Lisboa, para vigiar e de todas as formas se empenhar pela fundação legal do convento. No entanto, é preciso lembrar que já em 1756, graças aos empenhos de João de Deus, o convento de Balsamão havia obtido a autorização para a residência de no máximo seis pessoas religiosas. Em 1760 já havia em Balsamão pelo menos cinco sacerdotes e três irmãos religiosos336. O Padre Fischer se esforçava por encontrar candidatos para o noviciado e buscava a formação deles em espírito mariano. Uma desagradável surpresa foi a carta do superior geral Jacinto Wasilewski, que recebeu no dia de Natal de 1763. O superior geral lhe informava que o capítulo havia decidido que o Padre de Buffo devia mudar-se de Portugal para Roma, para o cargo de procurador-geral. Exigia-se também que para lhe ajudar fosse destinado um mariano português337. Para o adoentado e extremamente cansado Padre Fischer essa exigência era um mal-entendido e uma incompreensão da missão portuguesa, que apenas estava começando a desenvolver-se. Em 1763 residiam em Balsamão quatro padres (entre os quais dois portugueses) e cinco irmãos religiosos338. O Padre de Buffo estava envolvido no processo de beatificação, e em Lisboa se empenhava pela aprovação da ordem pelo rei. Por sua vez os principiantes irmãos portugueses não estavam ainda suficientemente preparados intelectualmente para levar adiante todas essas questões. Após se aconselhar com o Padre de Buffo, apesar das resistências espirituais o Padre Fischer escreveu ao superior geral que eles não podiam subordinar-se às disposições do capítulo339. Apesar das muitas dificuldades, ele continuava a se empenhar com todas as forças para preservar 335 Vargas, Memória, pp. 40-41. 336 B. Pires, Ojciec Kazimierz, passim. Contém curtos biogramas dos diversos membros. 337 Prot. Bals., 145-146. “25 Decembris 1763 [...] recepi epistollas a N. Praeposito Generali, in Capitulo 11 septembris celebrato, neo-electo sciclicet P. Hiacyntho Wasilewski. Cum hac epistola venerunt litterae obedientiales R. P. Rafaeli meo socio Lisbonae jam tribus annis residenti, ut se transferret Romam assumpto socio ex Congregatines Balsamensi [...] His obedientijs satisfacere impotes eramus, nam residentiam Ulyssiponae deserere, socium provedere ex hac pauca familia, ac providentiam pro tam longo itinere, sola unica haec Congregatio nullo modo erat in statu.” 338 A. Lemos, Da vinda de frei Casimiro, p. 54. 339 Prot. Bals., 145-146.

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