331 Padre Casimiro, convencido da sua santidade, foi ter com o bispo de Miranda João da Cruz pedindo que fosse iniciado o processo informativo sobre “as virtudes, a santidade e os milagres do Servo de Deus” Padre Casimiro. Por um decreto do dia 4 de agosto de 1756 o bispo ordenou o início do processo318. Mas, como em breve ele faleceu (no dia 20 de outubro de 1756), os preparativos para o processo foram interrompidos. No entanto o culto do Padre Casimiro se intensificava incessantemente. A opinião pública, especialmente em Portugal, via nele um santo. Uma convicção semelhante se verificava na Espanha e na Polônia319. Em razão da fama da sua santidade, o bispo havia permitido que ele fosse sepultado na igreja, então o seu corpo foi sepultado sem um esquife debaixo do piso de madeira. Visto que muitos peregrinos vinham ao seu túmulo para agradecer e pedir diversas graças, convencidos de que ali se operavam milagres, o Padre Fischer reconheceu que o corpo de alguém “falecido com fama de santidade” e tão cultuado devia encontrar-se num lugar mais digno. Estava também fortemente convencido de que em breve ele seria elevado aos altares. Um outro argumento era a preocupação com o túmulo e com os restos mortais, porquanto, segundo depoimentos de testemunhas, os peregrinos retiravam do túmulo a terra, descascavam pedaços do soalho acima do túmulo, arrancavam pedaços do hábito, e um ex-trapista levou até uma parte dos ossos. Por isso, quando a igreja estava aberta, os irmãos vigiavam junto ao túmulo para não permitir a sua devastação e profanação. Nessas circunstâncias o Padre Fischer, como comissário geral dos marianos em Portugal, no dia 12 de março de 1759 apresentou ao bispo um pedido para que fosse permitida a exumação e a guarda do esquife num lugar seguro320. Naquele mesmo dia o bispo Aleixo Henriques de Miranda expediu um decreto que autorizava a exumação, enfatizando que a fama de santidade do Padre Casimiro lhe 318 Positio, Wyszyński, pp. 402-403; Vargas, Memória, p. 38. 319 B. Pires, Ojciec Kazimierz. Encerra testemunhos da sua santidade e descrições dos milagres. M. Matuszewicz, Diariusz, t. I, pp. 188-189. [O Padre Casimiro] faleceu ali in opinione sanctitatis, visto que junto ao seu túmulo surgiram os sinais da sua santidade e graças divinas”. Prot. Ord., 455-456, Carta de 29 de novembro de 1767. Depoimento do Irmão Emanuel Szarosiek sobre o culto em Portugal e na Espanha: „De tal forma o Servo de Deus Casimiro Wyszyński se tornou famoso pelos seus milagres em Portugal que se ouve falar de graças alcançadas não somente nos lugares próximos, mas também nas províncias distantes do mar e do oceano. Ouvem falar dele a Espanha, a Castela, a Gália, daqueles que chegam a este lugar [a Balsamão], e sentiu os efeitos da sua piedade também a capital real, a famosa cidade de Lisboa. [...] Nos dias dos finados há grande afluência de pessoas durante toda a oitava, quando só de padres seculares aparecem mais de cem”. 320 Positio, Wyszyński, p. 403; Prot. Bals., 86.
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