329 como o fundador e o patriarca da ordem. Da mesma forma o Irmão João de Deus – embora seja necessário enfatizar firmemente que de todo o coração, alma e corpo ele se envolveu na questão do fortalecimento e no desenvolvimento da fundação mariana em Portugal – encontrou o eremitério em Balsamão, providenciou a autorização para nele permanecerem seis sacerdotes, preocupou-se com a boa administração dos bens e dos recursos do convento, com a impressão das obras formativas. Ele era no convento uma autoridade a quem os irmãos demonstravam respeito. Ele se apresentava diante do rei e das autoridades eclesiásticas como o procurador-geral da comunidade. No entanto os marianos vindos da Polônia, de acordo com o decreto expedido, começaram a cumprir as tarefas a eles confiadas e que resultavam da autoridade conferida, afastando discretamente o Irmão João, que com isso se sentiu magoado e ameaçado em sua função de procurador do convento. Começou a sublevar os irmãos portugueses contra o Padre Fischer, negava-lhe obediência e se posicionava abertamente contra ele. Manifestava em público a sua insatisfação pela vinda dele a Portugal312. Parece que a disputa entre eles tinha também uma base mais ampla, visto que se relacionava também com uma visão diferente da ordem, uma outra tradição religiosa, uma outra posição das ordens religiosas na Polônia e em Portugal diante das autoridades civis e diocesanas. Um pesquisador da atividade do Padre Fischer escreveu que: “[Fischer] defendeu a comunidade religiosa diante da tentativa da sua desfiguração pelo primeiro mariano português, João de Deus, admitido na ordem pelo Padre Wyszyński no dia 25 de março de 1754 em Lisboa. Aquele irmão afirmava que [após a vinda dos marianos da Polônia] não havia em Balsamão nenhuma ordem e que ali reinava o terror”313. É muito possível que os padres vindos, educados na severa observância religiosa na Polônia, e baseando-se também no decreto recebido, tentassem introduzir a disciplina e o severo rigor em Balsamão, ou seja, as normas da vida religiosa que na época obrigavam os marianos na Polônia. E com essas exigências, com essa disciplina e severa ascese não estava acostumada a comunidade portuguesa. O conflito se intensificava, e os adversários não cediam. O Irmão João de Deus insistia com os coirmãos “que obedecessem somente a ele, porque de outra forma muito se arrependeriam disso [...], porque ele daria ciência de tudo ao rei”314. Os irmãos que 312 Prot. Bals., 71-72; Vargas, Memória, p. 40. 313 B. Jakimowicz, O. Aleksy Fischer , p. 55. Cf. Prot. Bals., 73. 314 Prot. Bals., 73. “Sabbato in albis ille collectis suis rebus, procuratis in Chacim bestijs, tempore mensae totam sacristiam pervolvit solus, nulli se insinuans, et e templo res non tantum suas, sed quae pro Domina Nostra SS.ma data fuere per eleemosynam, composuit, tandem tem-
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