316 rer, porque estava sempre doente”266, e ele mesmo, apesar das hesitações, e confiando firmemente na Divina Providência, decidiu ficar, pronto a sofrer todo tipo de mal e até a morte, contanto que crescesse a glória da Imaculada267. Escrevia: “Talvez Deus forneça alguma forma de consertarmos o nosso embaraço e a vergonha que nos foi infligida pelo Salazar. Por outro lado, eu não sinto em mim força suficiente para realizar uma difícil viagem, em razão da minha velhice e da saúde frágil. Além disso, gastamos todo o dinheiro com a esperança de nos estabelecermos [em Portugal]”268. Dando-se conta de que a cooperação com o Padre Salazar não oferecia nenhuma perspectiva para o futuro, empenhou-se por encontrar um outro lugar. A resposta de Salazar foi a ira, a busca da vingança e o isolamento do Padre Casimiro. No entanto a Providência Divina velava por ele. Esse desconhecido religioso, que não conhecia bem a língua portuguesa, encontrou então no seu caminho poderosos e influentes protetores. Assim ele escreveu a respeito: “Deus me deu protetores que quase à força me arrancaram das mãos do Pe. Salazar e abriram-me o caminho para um melhor desenvolvimento da nossa Ordem”269. Esses protetores, como se fossem o evangélico samaritano, envolveram o Padre Wyszyński de proteção, “garantiram-lhe o sustento pagando por ele ao guardião do convento” e procurando para ele um lugar onde pudesse trabalhar em paz e dedicar-se à fundação de um convento dos marianos270. Graças à intercessão deles, o Cardeal Melchior Tempi forneceu ao Padre Casimiro um “Mandatum”, ou seja, um salvo-conduto por força do qual foi liberto do Salazar e instalado no convento dos franciscanos de S. Pedro de Alcântara em Lisboa271. Somente seis dias após a vinda ao convento dos franciscanos o Padre Casimiro teve uma grande alegria, visto que no dia 25 de março de 1754 João de Deus, seu principal protetor, anunciou o seu acesso aos marianos e foi oficialmente aceito e revestido do hábito mariano. Essa foi a primeira vocação portuguesa aos marianos, e para o Padre Casimiro foi um sinal da bênção divina para a obra empreendida. João de Deus era uma pessoa operativa, piedosa, influente, abastada, coligada com muitas pessoas podero266 Wyszyński, Diariusz, 409-410. 267 Prot. Bals., p. 10. 268 Vargas, Memória, p. 31. 269 Wyszyński, Diariusz, p. 413; Positio, Wyszyński, p. 244. Eram eles: Salvador Marcello de Figueiredo, proprietário de terras e cortesão real, e o mencionado João de Deus da Imaculada Conceição. 270 B. Pires, Ojciec Kazimierz, pp. 26, 29, 41. 271 Positio, Wyszyński, p. 244. Contém o documento „Mandatum”.
RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==