315 Regra, mas se extinguiu com a nossa vinda. Além disso, o seu fundador submeteu-se à minha jurisdição e recebeu o hábito das minhas mãos, deixando de lado o seu, que havia inventado; agora está colaborando comigo”261. Mas a situação não era bem assim, porquanto o Padre Salazar não havia desistido do seu empreendimento e atraiu a ele ardilosamente algumas pessoas influentes, entre as quais o superior geral dos franciscanos, que se deixaram convencer da veracidade da sua versão, e manipulou o Padre Wyszyński. Após a chegada a Lisboa os dois marianos se alojaram na casa de Salazar e somente ali eles descobriram o seu ardil e a sua esperteza. O Padre Aleixo Fischer registrou que “os padres estavam desesperados e preocupados”262. Segundo testemunhas, Salazar os tratava grosseiramente, maltratando-os e ofendendo-os, desrespeitando a dignidade deles. “O Padre Casimiro teve que passar pela provação da fome, da sede, da humilhação, da solidão, das zombarias e de todo tipo de mortificações até as raias da alienação mental”. A testemunha ocular Padre Bujalski declarou que durante o almoço Salazar, sentado, chamava o Padre Casimiro, mandava que ele ficasse em pé, que a seguir se ajoelhasse, beijasse o chão, que novamente se levantasse e assim muitas vezes, restringindo-lhe também as refeições e o sono263. O próprio Salazar, após a morte do Padre Casimiro, declarou no processo de beatificação que queria dessa forma comprovar a sua humildade e santidade e confessou com humildade e lágrimas: “Fiz dele um mártir”, e prometeu fazer uma peregrinação ao seu túmulo, a fim de suplicar o perdão264. O Padre Bujalski, tendo constatado objetivamente como as coisas se apresentavam e não vendo uma saída daquele estranha situação, e ainda sofrendo variados tormentos e a doença, decidiu deixar Portugal, ao que também induzia o Padre Casimiro: “Padre, afastemo-nos desta casa, porque este homem parece ser um judeu ou outro descrente”265. Mas o Padre Casimiro respondia: “Suportemos os sofrimentos com paciência”. Mas em tão difíceis condições o Padre Bujalski no final ficou gravemente doente e no dia 26 de dezembro, após dois meses de estada em Lisboa, partiu para a Polônia. Numa carta ao superior geral o Padre Wyszyński esclarecia: “O ar daqui não lhe fazia nada bem, e havia o receio de que pudesse mor261 Wyszyński, Diariusz, p. 419. 262 Prot. Bals., 10. 263 Positio, Wyszyński, p. 243. Depoimentos do Pe. Beno Bujalski no processo de beatificação. 264 Prot. Bals., 106-107. 265 Positio, Wyszyński, p. 243; B. Pires, Ojciec Kazimierz, pp. 46-47. Contém os depoimentos do Irmão João de Monte Policiano.
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