Os Marianos 1670-1788

314 dos ideais maçônicos, hostis à Igreja e às ordens religiosas254. Os marianos compreenderam que haviam sido enganados e sentiram-se perdidos, porquanto em toda essa questão figurava somente o Padre Salazar255, que a inventou e organizou. E essa ideia havia surgido em sua cabeça por ambições pessoais, já que ele mesmo desejava muito ser o fundador de uma ordem da Imaculada Conceição. Uma iniciativa semelhante à do Padre Salazar havia sido assumida em Portugal por um outro zeloso devoto da Imaculada Conceição, João da Imaculada Conceição, mais tarde chamado João de Deus (1495-1550)256. Já durante a viagem de Roma a Lisboa o Padre Casimiro, quando se deteve na cidade de Mertola, ficou sabendo de um guardião dos frades observantes que “em Lisboa há dois conceicionistas” [um religioso e um secular] que estavam tentando fundar uma congregação, mas que “estão mal da cabeça, ou seja, estão ficando doidos. Isso nos deu a esperança – escreveu em seu Diário – de que eles não nos atrapalhariam, então estamos indo depositando a esperança no Nome do Senhor”257. E a situação era que alguns anos antes, no monte Boboda, na capela da Santíssima Virgem Maria, a 15 quilômetros de Lisboa, os mencionados padres Salazar e João de Deus haviam organizado um grupo de eremitas sem a necessária autorização e as formalidades exigidas, servindo-se da regra e dos estatutos dos marianos. João de Deus vestiu um hábito de sua própria invenção e o impôs igualmente aos seus companheiros. Então surgiu um conflito entre ele e Salazar, que logo depois envidou esforços para se tornar o fundador da sua própria ordem. Como esses esforços não produziram resultado258, tendo se informado com os franciscanos que tal ordem já existia na Polônia, e que representantes seus residiam em Roma, decidiu trazer os marianos a Portugal para realizar os seus próprios planos de fundação. Os marianos deviam ser em suas mãos somente uma ferramenta para a realização do seu próprio projeto259. Sublevando os coirmãos contra João de Deus, prometeu-lhes trazer os verdadeiros religiosos-marianos e dessa forma contribuiu para a divisão da comunidade260. Numa carta à Polônia, o Padre Wyszyński informava que “já foi instituída aqui uma comunidade sob a cobertura dos nossos Estatutos e da nossa 254 Nowa Encyklopedia Powszechna, t. 5, Warszawa 1966, p. 239. 255 B. Pires, Ojciec Kazimierz, p. 39. 256 Wyszyński, Diariusz, p. 406. 257 Ibidem. 258 Ibidem, p. 419. 259 Vargas, Memória, pp. 33-34. 260 Ibidem, p. 32.

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