Os Marianos 1670-1788

310 em Portugal, a ainda patrocinada pelo próprio rei, era um extraordinário esplendor e uma base financeira para os marianos. Observava também que “um país tão rico poderia ajudar na beatificação [do Pe. Estanislau], ainda que o processo tivesse que durar por algum tempo”238. Na carta insiste com o superior geral que a Portugal sejam enviados quanto antes no mínimo dois marianos, e que sejam sacerdotes de bons costumes e humildes. Embora a fundação da missão ainda estivesse distante, o Padre Casimiro fazia questão de que essa missão fosse edificada em firmes recursos humanos. Por isso ele mesmo propunha os candidatos: o Pe. João Câncio Szkraffer, que em 1751 já havia estado com ele em Roma e conhecia a língua italiana, e uma outra “pessoa adequada e experimentada, porque isso deve trazer honra à nossa Ordem”239. Procura também preparar o ambiente dos marianos para uma compreensão mais profunda do ideal missionário e para o envolvimento nessa causa. Ele mesmo também estava pronto a viajar a Portugal, mas colocava em primeiro lugar a causa da beatificação do Padre Estanislau, que ele ardentemente desejava, visto que estava profundamente convencido da sua santidade. Chegava a admoestar o superior geral: “Não ouso viajar de Roma a Portugal enquanto não ouvir ao menos da instauração desse processo. Deveríamos desejar muito isso, porque disso depende o nosso desenvolvimento e, de outra forma, vamos definhar. Afinal, se lá [em Portugal] não for necessária a minha presença e se for preciso que eu volte à Polônia para cuidar desse processo, eu não me esquivo a esse trabalho. Mas afinal, por amor de Deus, eu não estou sozinho na Congregação. [...] Essas duas tarefas – o processo e a missão em Portugal – devem ser quanto antes por nós assumidas, como as mais importantes e as mais santas”240. A motivação do seu zelo apostólico era a difusão da glória do mistério da Imaculada Conceição e a promoção da ordem mariana. Vendo a displicência da administração geral e também a incompreensão da parte dos coirmãos, insistia muito que fosse tomada logo uma decisão. Apelava até à ambição do superior geral, indagando: “Ou será que não servimos para isso?”. Na carta informava-lhe que em razão da falta de providências nessa questão estava se defrontando com opiniões críticas e negativas a respeito dos marianos. “Eles muito se admiram [...] de estarmos adiando tanto a nossa missão junto ao rei de Portugal, o que dá margem a suspeitas de que 238 Ibidem. Carta de 11.3.1752, pp. 246-248. 239 Ibidem, p. 247. 240 Ibidem, pp. 331-332. 319.

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