28 à provação, aprendesse a compadecer-se das almas em seus extremamente pesados tormentos e tivesse um amor maior a elas, visto que ele mesmo sofreu e experimentou a compaixão”9. João Teixeira também acreditava que Deus curou então o jovem João, visto que o destinou para “fundar na Igreja de Deus a Ordem da Sua Mãe Santíssima”10. Por sua vez Jorge Navikevicius afirma que o próprio Papczyński não procurava explicar nem fundamentar de qualquer forma a sua “cruz de Lwów”: nem a doença, nem a cura, mas, curado, consagrou toda a sua vida à Mãe Santíssima11. O pai de João, tendo tomado conhecimento dessa infeliz sorte do filho e com temor da peste, em meados de maio de 1650 trouxe-o de Lwów para casa, a Podegrodzie e, “visto que – como observa Casimiro Wyszyński – [...] gratis victum non dabat (não dava comida de graça)12, decidiu que o filho se dedicaria a apascentar as ovelhas. Ser pastor não era uma tarefa honrosa, tanto mais porque João Papczyński já tinha então conhecimento do mundo e era um jovem de dezesseis anos relativamente instruído. João Teixeira assim o via: “[Papczyński] viu-se agora condenado pelo pai, como que por castigo e desprezo, a cuidar das ovelhas nos montes. O pai, indisposto por tantas adversidades, não se dispunha agora a lhe dar apoio”13. Esse acontecimento pode parecer algo insignificante, mas para o jovem João Papczyński tanto a nova tarefa como a convivência no silêncio com Deus e com a natureza mostraram ser um momento muito importante em sua vida. Isso foi para ele também uma verdadeira lição de humildade. Em tudo ele via a vontade de Deus, o que testemunha sua confissão em Segredos de consciência, narrada logo após o relato da “cruz de Lwów”. Glorificando a Deus e agradecendo à Divina Providência por guiá-lo através dos pais, registrou: “Agradeço por isso a Deus porque foi por Sua vontade que fui então obrigado por meus Pais a apascentar o rebanho, visto que (ouso anunciar isto com paz de consciência), permanecendo nas pastagens em meio ao rebanho, preservei a consciência pura e santa! Meu Senhor! O que humildemente Vos suplico é que esse gênero de Providência de Vossa Majestade – o que espero para o futuro e no que acredito – me conduza até o final da minha vida”14. 9 Wyszyński, Stróż, 62. 10 Teixeira, n. 25. 11 Georgio A. Navikevicius, Stanislao di Gesù Maria Papczyński (1631-1701). Scolopio e Fondatore della Congregazione dei Padri Mariani, Roma 1960, p. 63, [a seguir: Navikevicius]. 12 S. Papczyński, Tajemnice sumienia, in: Pisma zebrane, p. 1407. 13 Teixeira, n. 30. 14 S. Papczyński, Tajemnice sumienia, in: Pisma zebrane, p. 1408.
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