273 os marianos entram numa crise, ao que chamou a atenção Ferdinando Maria Saluzzo, núncio apostólico em Varsóvia58, que nos primeiros vinte anos do século XIX se transformaria numa crise séria. As capelanias marianas Apesar das aparências, as capelanias são um tema importante na história dos marianos, na sua formação e no seu mecenato. De acordo com o desejo e as exigências dos benfeitores, para essa função eram convocados sacerdotes que se distinguiam, mais eruditos, fazendo minguar dessa forma o círculo dos marianos eruditos, dos quais a congregação também necessitava. Graças aos capelães surgiam variados contatos sociais, espirituais, intelectuais, embora também ocorressem fenômenos negativos, como dependências e maus relacionamentos. No decorrer da história da vida religiosa, as capelanias não são avaliadas de forma unívoca. O Padre Papczyński, na verdade, previa para os marianos certo tipo de trabalho fora dos conventos e registrou isso em Norma vitae: “Não será proibido àqueles que sejam dotados desse tipo de aptidões humildemente ajudar aos párocos nos trabalhos da igreja”59. No entanto faltam documentos que falem da ajuda proporcionada pelos marianos às paróquias diocesanas durante a vida do Padre Fundador. Embora ele tivesse deixado o estímulo a esse tipo de trabalho, não esboçou nenhum programa nem deixou quaisquer orientações. Após a sua morte (1701) a atividade pastoral dos marianos se intensificou e assumiu a forma de capelanias. Isso resultava das disposições do capítulo celebrado em 1712 sob a presidência do reformado Frei Capistrano Klein. Percebendo o perigo que as “perpetuae capelaniae” traziam aos religiosos, por um decreto o capítulo as aboliu, e também proibiu que os marianos fossem enviados a trabalhos pastorais, com a exceção das missões60. 58 „Há falta na Congregação de pessoas adequadas, capazes de exercer a função de professores. Por isso me parece oportuno sensibilizar o superior geral para que encontre os meios mais adequados e apropriados para formar na congregação pessoas que sejam capazes de aprender [...] as ciências adequadas ao seu estado, ao que com certeza melhor poderia servir o seu regular envio daqui ao convento de S. Vito, [para que] naquela Capital [...] possam observar e aprender a observância da regra religiosa, bem como adquirir a ciência. ASV, Congr. VV et RR., Sez. Regolari-Mariani, julho 1792, ff. 3-4. O Núncio em Varsóvia, F. Saluzzo, à Congr. VV et RR 13.8.1792 r. [Tradução do autor]. 59 Norma vitae, I, 3, in: Pisma zebrane, p. 47. 60 Cap. Gen., 1712/1. „Cum ea quam religiosae personae vovent castimoniam securius et felicius illibata nequeat custodiri, quam in claustrali commoratione, ideo perpetuae capellaniae
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