241 Pai [Papczyński] entre nós. E, se Turczynowicz se afastasse deste mundo, seus amigos, com os quais eu quase diariamente travo uma disputa, teriam a coragem de instaurar o seu processo [de beatificação]. [...] Os [seus] méritos são divulgados na Lituânia e em Roma pelos seus partidários, como se ele fosse uma pessoa de grande santidade que trouxe ao seio da Igreja muitos infiéis”189. Mateus Mieses acrescenta em seu trabalho que o Padre Turczynowicz contribuiu para converter ao cristianismo cerca de duas mil moças190, que depois foram desposadas por pessoas ao menos da classe média, visto que até 1764, pela conversão, os judeus recebiam um brasão e a nobilitação, o que era o caminho mais fácil para alcançar a nobreza. É preciso também lembrar que por muitos anos o Padre Turczynowicz foi capelão do príncipe Miguel Radziwiłł e que naquele tempo estabeleceu variados contatos com pessoas das altas esferas. E a questão da conversão e da assimilação dos judeus era então propagada a apoiada na Igreja, possuindo também um contexto político e social, enquanto que em Roma as pessoas interessadas no tema nem sempre estavam bem informadas sobre o cerne da disputa. Após muitos memoriais e esclarecimentos de ambas as partes, finalmente surgiu a decisão. No dia 3 de julho de 1752 a Congregação da Propagação da Fé promulgou um decreto por força do qual proibia ao Padre Turczynowicz o uso do hábito então adotado durante a coleta de esmolas, bem como a utilização do título que não cabia à sua fundação, “visto que foram emprestados dos marianos sem o acordo com a apropriada autoridade eclesiástica”191. O decreto encerrava a questão que custou ao Padre Wyszyński muita energia e esforço, o que pode ser testemunhado, por exemplo, pelo fato de que, em suas cartas e em seu Diário, o nome do Pe. Turczynowicz aparece 54 vezes nos mais variados contextos. Como curiosidade, vale a pena apresentar aqui o relato do Padre Wyszyński, que atribui a vitória nessa questão claramente a uma extraordinária intervenção de Deus. Eis que certo dia o Cardeal Jerônimo Bardi, prefeito 189 Wyszyński, Diariusz, p. 330. 190 Mateusz Mieses, Z rodu żydowskiego, Warszawa 1991, p. 34; Podręczna Encyklopedia Kościelna, t. XXVI, p. 344, fornece 2.900 conversões de moças durante a atividade das irmãs mariavitas na Lituânia, na Bielorrússia e na Volínia. Em 1820 as irmãs mariavitas possuíam ali 17 conventos, junto aos quais funcionavam escolas gratuitas para moças pobres. 191 Positio, Wyszyński, pp. 220-221. Decreto definitivo S. Congregatione di Propaganda Fide nella causa dei Pseudo-Mariani di Vilna, 3 luglio 1752. „Serventur omnino ordines datae sub die 22 iulii 1748 quoad quaestum et illius modum, necnon scribatur Episcopo Vilnensi, quod nullo modo permittat Praeposito et confratribus Sancti Lazari in quaestuationibus habitum et titulum, qui eius fundationi non cohaerent et qui absque eius licentia supponuntur assumpti.”
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