Os Marianos 1670-1788

201 com mais força ainda. Dessa vez faltou, no entanto, um dirigente tão firme como na chamada dispersão de Rostkowski foi o superior geral Pe. Mateus Krajewski. Dentro da ordem intensificava-se a desavença e a dissensão. Verificou-se que nem todos os marianos aceitavam a Regra das dez virtudes, da mesma forma que as recém-aprovadas Constituições marianas (1723). Acreditava-se que as mudanças nessa codificação não estavam de acordo com a visão da Ordem transmitida pelo Padre Fundador. Apresentava-se nessa questão uma acusação muito forte: “A Regra ultimamente elaborada pelo religioso, pelo falecido Padre Joaquim, superior geral, e também por outros superiores na Ordem, contraria a forma e o primitivo propósito do Padre Estanislau, visto que está mais de acordo com a regra seráfica e as constituições do Frades Reformados [...], ela nos incorporou a eles contra a nossa vontade”33. No dia 11 de fevereiro de 1730 afogou-se no Vístula o Pe. Joaquim Kozłowski, o principal arquiteto da incorporação aos reformados. Os seus adversários reconheceram essa morte como um castigo divino sofrido com justiça pela traição e pela venda dos marianos aos franciscanos. O Padre Teixeira assim a interpretou: “A sua [do Padre Joaquim] morte entristeceu na realidade os religiosos como irmãos, mas ao mesmo tempo eles respiraram aliviados dos obstáculos para a realização de pesquisas sobre as virtudes e a santidade do seu verdadeiro fundador, o Pe. Estanislau”34. Alguns marianos, tendo concluído o noviciado e tendo-se orientado na situação da ordem, não queriam professar os votos e se afastavam dizendo que queriam ser marianos, não reformados. Eles constatavam que o instituto fundado pelo Padre Estanislau já não existia, que lhe havia sido retirada a identidade, que “est abrogatum”35. Acreditavam que “após a mudança da própria essência e do carisma do Instituto haviam mudado nele igualmente os compromissos decorrentes do Padre Fundador”36. Alguns marianos, filhos fiéis do Padre Papczyński, desejavam muito a volta à sua herança, à vida de acordo com as normas e o carisma da ordem apontados pelo Padre 33 BUViL, Doc. Viln., F4-A166, (1733, esparsos). Trata-se de uma ampla pasta, que encerra muitos doumentos e informações a respeito das disputas e das desavenças entre os marianos nas primeiras três décadas do século XVIII, cuja causa é vista na dependência dos reformados e na postura do Pe. Joaquim Kozłowski favorável aos reformados. Trata-se de uma coleção de documentos (sem paginação), de relatórios pós-capitulares, de afastamentos dos marianos da ordem e das suas causas. 34 Teixeira, n. 234; Navikevicius, p. 231; cf. Wyszyński, Stróż, p. 135, n. 110. 35 BUViL, Doc. Viln., F4-A166, (1733). „Institutum hoc sub titulo Stanislai primi Fundatoris est abrogatum”. 36 Ibidem. „Mutata substantia Instituti mutatur est obligatio Instituentis.”

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