Os Marianos 1670-1788

200 disposições expedidas pelos próprios marianos. Por outro lado, as decisões do comissário reformado, embora muitas vezes decorrentes do seu zelo, aprofundavam a desconfiança dos marianos diante dos reformados e provocavam a resistência “como não procedentes da nossa fonte”. A postura da oposição dos marianos era influenciada por muitos fatos, e por vezes até iniciativas insignificantes dos reformados, pela falta de diálogo, pelo tratamento dos marianos pelos comissários de uma posição de superioridade, pelo distanciamento da parte deles da herança mariana, da pessoa do Padre Fundador e do passado dos marianos. Os decretos dos capítulos e as cartas dos comissários reformados dos anos 1702-1731 não recordavam o Padre Fundador nem mencionavam o seu nome. Em contrapartida, muitas vezes faziam referência a S. Francisco e à espiritualidade dos reformados. Falando dos marianos, os reformados utilizavam a definição “nossa ordem”. O capítulo de 1728 introduziu uma severa imposição: “Que funcione o coro como deve, sob pena de pecado mortal, no que diz respeito às orações comuns e no que diz respeito às horas canônicas recitadas em coro, dia e noite”31. No entanto o coro era obrigatório nas ordens monacais e mendicantes, e por isso os marianos, como ordem clerical, revoltavam-se contra essas obrigações do coro a eles impostas. Nas refeições e durante a recreação era obrigatória para os marianos a leitura, que de acordo com o Padre Papczyński devia constar de trechos da Sagrada Escritura, da Regra de vida, das rubricas do missal e do breviário, do livro Imitação de Cristo e de outras obras ascéticas. No entanto os reformados indicavam como leitura as Crônicas franciscanas, o Speculum de S. Boaventura, as Cronicae S. Francisci, a Accademia pietatis e outras obras de autores franciscanos32. Tratava-se às vezes de questões insignificantes, mas que provocavam a indignação entre os marianos e despertavam a indagação por que as orientações do Padre Fundador não eram levadas em consideração. Manifestavam-se igualmente diversas controvérsias não resolvidas, que se apresentavam antes da “dispersão de Rostkowski” e durante ela. Os religiosos que estavam insatisfeitos com a decisão do Bispo Pedro Tarło, tomada diante dos marianos em 1722, passavam à oposição contra os reformados. A dissensão na ordem, que ocorreu nos anos 1715-1722, e os mesmos problemas com que então se lutava voltaram nos anos 1728-1733 31 Cap. Gen., 1728/1. 32 Orientações do Pe. Papczyński quanto a leituras: Norma vitae, VI/2/5; S. Papczyński, List do marianów w Pustelni Korabewskiej, 6, in: Pisma zebrane, pp. 1478-1479; idem, Rozporządzenia dla Pustelni Korabiewskiej, 3, in: Pisma zebrane, pp. 1506-1507. Com referência às leituras franciscanas, cf. Horologium marianorum, pp. 42-43. Cf. S. Sydry, Organizacja, p. 84.

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