135 que dessa queda já não se levantou e era cada vez mais dominada politicamente pela Prússia e pela Rússia. A borrasca da guerra provocou também uma guerra civil na Lituânia e forneceu o pretexto para a eleição, no dia 13 de julho de 1704, sob a proteção dos “mosquetes suecos”, do “antirrei” na pessoa do governador de Poznań Estanislau Leszczyński280. Esse fato provocou novas lutas internas e causou a dissensão no seio da República. O rei sueco Carlos XII, após as vitórias sobre os saxões, no dia 24 de setembro de 1705 forçou Augusto II à capitulação e à renúncia ao trono polonês. A confusão política aumentou com a avassaladora derrota imposta pelos russos aos suecos em 1709. A nova composição de forças obrigou o rei Estanislau Leszczyński a refugiar-se na França, cujas intrigas complicavam mais ainda a situação na Polônia. Voltou ao trono Augusto II, cuja “predileção por banquetes, farras e bebedeiras o acompanhou [...] até os últimos dias de vida. Ele também era um grande dragão para as mulheres”281. O seu patusco estilo de vida era imitado pelos dignitários e magnatas ligados com a corte, tanto saxões como poloneses. Contaminou-se com ele também a nobreza polonesa. A respeito dos tempos de Augusto II dizia-se: “Durante o reinado do rei saxão, coma, beba e afrouxe a cinta”282. As invasões suecas, saxãs e russas deixaram após si as cinzas e a devastação. Completou a desgraça uma terrível peste que eclodiu em 1707 e por alguns anos dizimou a população da Polônia. O seu número caiu ao estado de antes de 1640283. A guerra do norte arruinou a economia polonesa, a sua modesta indústria e a agricultura. Em consequência dela reinou no país uma grande fome. O embaixador russo informava: “Na Polônia nunca houve tal fome. Eu mesmo tenho visto que não somente os camponeses, mas também a empobrecida nobreza fica sem comer pão por várias semanas, alimentando-se apenas de legumes”284. Por sua vez o embaixador de Veneza afirmou que nenhuma pena era capaz de descrever a miséria e as desgraças desse país “destruído pelos suecos, saqueado pelos russos, pilhado pelos saxões”285. À miséria material adicionou-se a miséria moral, sobretudo a praga do alcoolismo, levando à morte na nação da vida espiritual, refreando o desenvolvimento e o progresso sob todos os aspectos, privando as 280 W. Czapliński, Zarys dziejów, pp. 325-326. 281 A. Zahorski, August II, in: Poczet królów, p. 411. 282 Esse brocardo refletia com perfeição os humores reinantes no seio da nobreza e de uma parte dos magnatas e por muito tempo se inscreveu na história da Polônia. 283 Polska, jej dzieje i kultura, Warszawa 1927, p. 169. 284 W. Czapliński, Zarys dziejów, p. 328. 285 Ibidem.
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