136 pessoas da dignidade cristã e a sua humanidade. Em busca do enriquecimento, começou a difundir-se a corrupção. O espírito da nação se apagava e floresciam os piores defeitos nacionais286. Um escolápio da época, o Pe. Estanislau Konarski, pessoa culta e instruída, ao observar a época saxã e os seus cidadãos, assim esboçou a imagem daquele estado de coisas: “Uma espécie de temor, fraqueza das mentes e torpeza geral dominou tudo [...], poderia parecer que em nós a lembrança da República e da pátria se apagou: como se cada cidadão do país em nada mais devesse pensar, desde que ele mesmo estivesse bem, ainda que todos perecessem”287. As tentativas de reformas eram bloqueadas pelos absolutistas Estados vizinhos. Em 1720 a Prússia e a Rússia assinaram um acordo secreto que não permitia quaisquer reformas e o conserto da República Polonesa288. A submissa Polônia, da qual na Europa se dizia que “não tem governo”, tornou-se na Europa iluminada um anacronismo, e para os vizinhos um apetitoso bocado, objeto de negociações, jogo político, pressões e intervenções armadas. Após uma grande bebedeira e um “terrível sofrimento”, no dia 1 de fevereiro de 1733 o rei Augusto II encerrou a vida. Antes da morte, pronunciou em alemão uma espécie de confissão geral: “Toda a minha vida foi um incessante pecado. Deus, tende compaixão de mim!”289. “As cortes europeias herdaram dele um programa já oficialmente instituído de partilha da Polônia”290. Após os 35 anos do desafortunado reinado de Augusto, começaram a despertar e a aumentar os humores patrióticos. Intensificaram-se os receios diante do reinado de mais um monarca estrangeiro. Preocupados com isso, em 1732 os vizinhos da Polônia assinaram um contrato chamado “contrato das três águias negras”, que tinha por objetivo manter a estagnação e a anarquia na Polônia. A assembleia convocatória de 1733, por proposta do patriota Primaz Teodoro Potocki, aprovou uma lei que excluía candidatos estrangeiros, provenientes de fora da Polônia, ao trono polonês. Ao mesmo tempo também privou os não católicos dos direitos políticos e afastou-os dos cargos exercidos, o que no futuro próximo deu à Rússia um pretexto de intervir na defesa deles. No dia 12 de setembro de 1733 trin286 Karol Górski, Od religijności do mistyki. Zarys dziejów życia wewnętrznego w Polsce, parte. I, 966-1795, Lublin 1962, p. 187. 287 Stanisław Konarski, O skutecznym rad sposobie, apud: P. Jasienica, Dzieje agonii, p. 131. 288 W. Czapliński, Zarys dziejów Polski do roku 1864, Kraków 1985, pp. 330-331; A. Zamoyski, Własną drogą, Kraków 2002, p. 214. 289 Uma interessante descrição da sua última bebedeira e da sua morte foi apresentada por P. Jasienica, Dzieje agonii, pp. 172-175; cf. A. Zahorski, August II, in: Poczet królów, pp. 420-421. 290 P. Jasienica, Dzieje agonii, pp. 175-176.
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