Os Marianos 1670-1788

134 No dia 17 de junho de 1696 o Rei João Sobieski faleceu. Seguiu-se o interregno, o tempo das disputas dos magnatas, das intrigas, da venalidade e dos conflitos. Disputavam o trono dois sérios candidatos: o eleitor saxão Frederico Augusto, que contava com o apoio da Rússia e da Alemanha, e o príncipe francês Luís de Bourbon Conti, que contava com o apoio da maioria da nobreza. Na confusão política, no dia 27 de junho de 1697 ambos foram proclamados reis da Polônia. Augusto demonstrou, no entanto, uma maior iniciativa, “não se esqueceu também dos argumentos em forma de dinheiro, lançou mão dele e com o exército saxão ingressou na Polônia”274. O eminente historiador Ladislau Konopczyński avaliou com clareza a eleição de Augusto II: “O interregno de 1696-1697, o mais longo e o mais imoral na nossa história, manifestou a total desorientação política da sociedade em meio a intrigas estrangeiras, o profundo desaparecimento do espírito público [...], e deu à nação um rei que devia depravá-la mais ainda”275. Com razão Paulo Jasienica chamou de “história da agonia” os tempos do reinado dos saxões (1697-1763)276. Augusto II, que era protestante, para assumir o trono polonês aceitou o catolicismo. Vale a pena citar a esse respeito certo testemunho. Eis que quando o rei Augusto II, após a sua coroação em Cracóvia (15 de setembro de 1697) estava viajando a Varsóvia, deteve-se em Nova Jerusalém (hoje Góra Kalwaria) e lá se encontrou com o Padre Papczyński, que numa visão profética lhe predisse o tempo do seu reinado277. Ao aceitar a coroa polonesa, Augusto II contava que dessa forma fortaleceria a sua posição entre os principados alemães. A prioridade da sua política eram, no entanto, os assuntos da Saxônia, mas também os seus próprios interesses. Foi por essa razão que, contrariando o bem da Polônia, envolveu-se na grande disputa russo-sueco-dinamarquesa, que se transformou numa guerra que durou 21 anos (1700-1721), chamada guerra do norte278. Essa guerra se travou na sua maior parte em território da Polônia, levando a enormes destruições das cidades e das aldeias, que empobreciam a se despovoavam. Por exemplo, a população de Poznań caiu de vinte e um mil em 1640 para dois mil em 1710279. A guerra do norte levou à perda do Estado soberano da Polônia, 274 Andrzej Zahorski, August II, in: Poczet królów, p. 413. 275 Ibidem, p. 414. 276 P. Jasienica, Dzieje agonii. 277 Wyszyński, Stróż, pp. 91, 159-160. 278 Władysław Czapliński, Zarys dziejów Polski do roku 1864, Warszawa 1985, pp. 324-325. 279 Adam Zamoyski, Własną drogą. Osobliwe dzieje Polaków i ich kultury, Kraków 2002, pp. 216-217.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjI2Mw==