119 ordem dos marianos é errônea211. Papczyński adotou essa regra com certas resistências. Ele se dava conta da sua insuficiência e generalidade, o que no futuro podia abrir o caminho a diversas interpretações e visões da ordem. Por isso, ao fazer a solene profissão dos votos, em sua fórmula acrescentou e esclareceu: “Por todo o tempo da minha vida observarei a Regra da imitação das dez virtudes da Santíssima Virgem Maria naquilo que não se opõe às normas do nosso Instituto religioso”212. Dessa forma enfatizava claramente que, mesmo adotando essa regra aprovada pela Santa Sé, a ordem desejava ser fiel ao espírito, ao carisma, ao ideal diretivo dos marianos, às tarefas estabelecidas e à legislação dos marianos. A fidelidade ao primitivo carisma era mais claramente ainda enfatizado em Algumas observações sobre a regra, esclarecendo: “Essa Regra só foi adotada pelo Padre Fundador e primeiro superior geral da nossa ordem em relação àqueles pontos que não se opõem aos nossos estatutos, e isso para evitar escrupulosas dúvidas”213. Vale a pena chamar a atenção para as palavras: “Padre Fundador e primeiro superior geral”. O autor da introdução à Regra das dez virtudes queria assinalar que o primeiro superior geral e fundador da ordem é o Padre Papczyński, visto que na época queria considerar-se como tal o Pe. Joaquim Kozłowski, que também tinha os seus adeptos. A adoção da regra implicava um novo relacionamento, que por um longo tempo influenciou a história dos marianos, o seu desenvolvimento e o seu carisma. Embora a própria regra de forma alguma tornasse a ordem dos marianos dependente dos irmãos menores observantes, a partir daquele momento, através de diversos documentos legais, petições dos marianos, respostas e disposições dos observantes, os marianos perdiam em parte o seu carisma apontado e cultivado pelo Padre Fundador. Essa dependência se intensificava sistematicamente no plano jurídico, litúrgico, disciplinar a ascético. Isso contribuiu igualmente para refrear o desenvolvimento da espiritualidade específica dos marianos, visto que eles não podiam livremente aprofundá-la. Essa dependência foi assim sintetizada pelo pesquisador da história dos marianos Estêvão Sydry: “O lado frágil de tal decisão consistia no fato de que com isso os marianos perderam o seu caráter distinto, autônomo, o que era uma das causas da falta da sua coesão interior e o que tão visivelmente se assinalou após a morte do fundador e propriamente 211 J. Kałowski, Problem zależności, p. 70. 212 S. Papczyński, Profesja ślubów uroczystych, in: Pisma zebrane, pp. 1503-1504; cf. Positio, Papczynski, 553-554; S. Sydry, O. Stanisław, p. 244. 213 Uwagi niektóre na Regułę naśladowania cnót Nayświętszej Panny, in: Reguła Braci.
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