A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

84 do Fundador, quando afirma que “a alma do seu Instituto é o amor”. Os Statuta, por sua vez, dizem que “a alma do Instituto é o amor mútuo” (“charitas mutua”), de onde retiram conclusões que se relacionam diretamente às práticas ascéticas. Em princípio, a frase citada é tratada como uma espécie de introdução aos ensinamentos práticos”209. Porquanto Papczyński coloca o conjunto da vida religiosa, inclusive a categoria do amor teologal – “charitas” num contexto teológico mais amplo, do qual retira soluções relacionadas com a vida espiritual e ascética, no caso dos Statuta torna-se perceptível uma excessiva tendência a concentrar-se no ponto de vista ascético-moral. Pode-se dizer que dessa forma restringiu-se de certa maneira o espaço teologal. Na comunidade religiosa, inclusive na sua dimensão institucional, exterior, o beato Estanislau Papczyński quer reencontrar o conteúdo interior da vida da Igreja primitiva, descrita nas páginas dos Atos dos Apóstolos. O ideal dessa comunidade dos primeiros discípulos de Cristo, a que alude em Norma vitae, serve ao Fundador não apenas para indicar que “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”; ele igualmente percebe nesse ideal “Apóstolos fortemente estimulados por aquele Espírito celestial”, que “sem temor anunciavam a glória de Jesus” e, experimentando por essa razão perseguições e sofrimentos, “alegravam-se por terem sido julgados dignos de sofrer ultrajes pelo nome de Jesus [cf. At 5: 41), por terem sido castigados porque deram o testemunho”210. Com efeito, na vocação da primitiva comunidade apostólica desde o início esteve inscrita não apenas a prática do amor entre eles mas também diante dos outros, principalmente pela pregação do Evangelho, do mistério do amor de Deus ao homem, revelado por Cristo. Tudo isso, no entanto, só era possível porque essa comunidade era animada por um autêntico amor sobrenatural, que lhe havia sido concedido pelo Espírito Santo, graças ao que tornou-se um só corpo, congregada em volta de Jesus por uma comunidade de “irmãos na fé”, ligados entre si, mas também com Cristo “por laços de amor”. Em Inspectio cordis Papczyński enfatiza que “o Senhor aprecia a unidade e a concórdia”, porque, “quando viu que os discípulos se haviam reunido e estavam unidos, logo apareceu entre eles. Porquanto a unidade cresce com a concórdia. Onde existe a unidade, ali também 209 O correspondente item integral dos Statuta diz o seguinte: “Ante omnia mutuam Charitatem inter se semper studeant habere, sine qua, nec propria, nec proximi salus obtineri potest. Anima vestri Instituti sit charitas mutua, a qua quantum recedent, tantum a vita, memores illius sint Christi mandati toties repetiti: Hoc est praeceptum meum, ut diligatis invicem. Itaque evitabitis illam pestiferam luem, invidiam, odium, rancorem, antipatiam, sympatiam, aliaque dissidii semina, et fomites, omnes se invicem honore Superiores oboedientia, et reverentia prosequantur ex officio se nominantes, qui illud habent”. Statuta, VII 1. 210 IC, p. 721-722.

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