85 está o amor (“ubi unio, ibi charitas est”) e, onde existe o verdadeiro amor, não pode faltar Jesus, que é o próprio Amor”211. A alusão feita por Papczyński ao ideal da Igreja primitiva confere à sua concepção da espiritualidade religiosa certo frescor e dinamismo; ele a localiza também numa perspectiva eclesial mais ampla. Igualmente na forma de argumentar a favor das suas teses relacionadas com aspectos específicos da vida religiosa muitas vezes lembra as descrições de certas realidades da Igreja e algumas vezes também, caracterizando a comunidade religiosa, ele a compara à comunidade de toda a Igreja. Muitas vezes e em diversos escritos seus, expressa ele as convicções presentes em Inspectio cordis de que “uma pessoa sem amor, um religioso sem amor é uma sombra sem o sol, um corpo sem alma, simplesmente um nada. O que no corpo é a alma, na Igreja, nas ordens e nas casas religiosas é o amor”. E por isso, como conclui na mesma reflexão, “o amor (“charitas”) é a alma, a luz, a vida das ordens e de toda coletividade humana. Por isso aquele que destrói o amor é como se destruísse a vida, como se apagasse a luz, como se matasse a alma. Isso acontece porque a falta de amor num membro reflete-se em todo o corpo. Percebe-se isso no exemplo do corpo humano: se um dedo se machuca com um ferro envenenado, o veneno, espalhando-se pela mão, aos poucos domina o corpo todo e todas as partes do corpo sentirão a ferida de um único membro. Graças ao amor, das diversas pessoas religiosas como membros – superiores, pessoas iguais entre si e inferiores – surge o único corpo da ordem”212. Na descrição da comunidade religiosa, de acordo com o conteúdo que quer expressar, o Fundador dos marianos utiliza-se de diversos termos e de uma rica simbologia bíblica e teológica. O termo por ele mais frequentemente utilizado é “religio”, adotado na definição do estado da vida religiosa, geralmente sem uma aplicação detalhada. Outros termos são “communitas” ou “coetus”, utilizados em regra para a designação de uma comunidade religiosa concreta, geralmente local, adotados quando o autor quer enfatizar a dimensão comunitária, isto é, o lugar onde o religioso leva toda a sua vida. “Congregatio” ou “ordo” aparece nos textos quando Papczyński quer apontar para uma comunidade religiosa organizada e envolvida por estatutos, sobretudo em relação à Congregação dos Padres Marianos. Merece uma atenção especial o termo “religio”213. Nos escritos de Papczyński “religio” possui uma rica camada se211 Ibidem, p. 699. Cf. também: K. KRZYŻANOWSKI MIC. Stanislaus a Jesu Maria..., op. cit., p. 240-243. 212 IC, p. 1001-1002. 213 Muito característico a esse respeito é o trecho de Inspectio cordis onde Papczyński assim escreve: “Quanto à vida religiosa, reflete exatamente que ela é o porto ao qual se chega do perigosíssimo mar do mundo, evitando as grandes borrascas e tempestades que não podem ser superadas. Ela é a santa
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