A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

77 correspondentes à abordagem clássica da purificação passiva do espírito, no entanto não estão subordinados a um período específico da vida espiritual: dos iniciantes, dos que progridem ou ainda dos perfeitos. Uma situação semelhante diz respeito também às graças místicas, relacionadas principalmente com a oração, e próprias de maneira especial ao período da união192, embora também aqui o Fundador dos marianos aluda às especiais vivências místicas da pessoa que se entrega à oração, a fim de apontar para a possibilidade de uma ação sobrenatural de Deus; além da graça da contemplação, menciona também as compunções (“compunctiones”), os enlevos (“excessus mentis”), os arrebatamentos (“raptus”), as visões (“visiones”), as revelações (“revelationes”), etc. Basicamente, porém, nem descreve mais detalhadamente a sua natureza, dedicando mais atenção aos sinais que definem a maneira de comportar-se da pessoa que experimenta tais graças. Em princípio, recomenda a cautela diante do extraordinário e fornece os critérios para a verificação dos fenômenos, dentre os quais o fundamental é voltar a atenção para os frutos das experiências, principalmente se elas produzem a paz, a contrição, a humilhação, a humildade, a submissão a Deus e a capacidade de aceitar o sofrimento e a cruz, isto é, se na realidade conduzem a Deus. No entanto o critério definitivo é o ativo amor ao próximo e a humildade, porquanto “a quem falta o amor, este não possui nenhuma virtude” e onde “falta a humildade e o amor”, ali não existe a “verdadeira santidade” (“non veram credas sanctitatem, quae charitatem non habent, destituitur humilitate”)193. O amor sobrenatural, portanto, direcionando-se a Deus, na prática se revelará também no relacionamento com o semelhante ou com determinada comunidade, assumindo com isso uma dimensão social. Numa abordagem geral, como observa com razão S. Urbański, a mística de Papczyński, inclusive no âmbito das três etapas apresentadas do crescimento na “charitas”, ou do amor sobrenatural, encerra em si a exigência do engajamento da pessoa toda, de todas as suas faculdades e aspirações, definidas em Norma vitae com os conceitos bíblicos de “coração”, “alma” e “todas as forças” (cf. Dt 6: 5; Mt 22: 37; Mc 12: 30; Luc 10: 27), na busca contínua de uma união cada vez mais perfeita com Deus, incluindo a total assimilação e união da vontade, a vida em amizade com Ele e as bodas espirituais194. Por sua vez em Templum Dei Mysticum Papczyński enfatiza mais firmemente a dimensão teocêntrica da espiritualidade cristã, sublinhando ao mesmo tempo a dignidade da pessoa como o templo místico do Deus Uno e Trino. 192 Cf. A. POULAIN SJ. Łaski modlitwy. Poznań-Warszawa-Lublin, 1966, p. 81-381. 193 IC, p. 757. 194 Cf. S. URBAŃSKI. Zatopieni w Bogu..., op. cit., p. 78.

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