76 cos. De fato, o amor sobrenatural – como observa – “sufoca os distúrbios, afasta as guerras, produz a paz, ama as leis, ama o próximo, envolve o inimigo, a todos deseja o bem e a todos proporciona o bem”188. A oração adequada à união com Deus é a contemplação. Papczyński vê nela “o bem e o dom de Deus” concedido ao homem como sinal e prenúncio da vida eterna. Graças à contemplação, com efeito, o religioso atinge o conhecimento de si mesmo, o conhecimento de Deus e alcança a graça “de uma união muito estreita” (“unio arctissima”) com o seu Criador. E, visto que “da contemplação de Deus provém toda a felicidade dos santos”, aqueles que fixam o seu olhar em Deus e n’Ele veem a si mesmos e as obras divinas, de alguma forma já experimentam a felicidade dos salvos e tornam-se seus participantes. Em consequência disso, a oração contemplativa multiplica igualmente o verdadeiro amor amigo, que graças à contemplação torna-se o efeito do conhecimento experimental de Deus, da Sua beleza, da Sua bondade e do Seu imensurável amor em relação ao homem. Em princípio, então, o próprio ato da contemplação se transforma num ato de amar a Deus, conhecido não apenas pela fé, mas também na experiência pessoal interior, e todo gênero de oração se transforma numa forma de “estabelecer amizade com Deus” (“contrahere cum Deo amicitiam”)189. Ambas as categorias relacionadas com a descrição da união com Deus utilizadas por Papczyński nos escritos religiosos, isto é, o conceito do amor divino e do amor nupcial, no âmbito do conteúdo apresentado são muito semelhantes. Ocorre também, por vezes, que uma meditação de caráter nupcial encerra-se com uma formulação que alude à amizade, como p. ex. na meditação sobre a Eucaristia, onde reza desta forma: “Vinde, aproximai-vos, meu Amado! Alimentai a alma desfalecida com o Vosso Corpo e, sedenta, reanimai-a e lavai-a com o Vosso Sangue; uma e outra coisa concedei-me para o perdão dos pecados, para a correção de vida e para a perpétua amizade”190. Na concepção da união com Deus, tanto nos escritos do Fundador dos marianos como em outros documentos da primitiva tradição dos marianos, em princípio não ocorre a distinção entre união ativa e passiva, o que é uma das características da mística carmelita, mas também se encontra presente na tradição dos grandes místicos católicos191. Na realidade, nos escritos do beato Estanislau Papczyński está presenta a ideia da purificação passiva, da noite mística, dos sofrimentos espirituais e das vivências da noite da fé com eles relacionadas, 188 Ibidem, p. 998. Cf. J. MISIUREK. Zarys historii duchowości chrześcijańskiej. Częstochowa, 2003, p. 174. 189 IC, p. 660, 718. 190 Ibidem, p. 858. 191 Cf. R. GARRIGOU-LAGRANGE OP, op. cit., p. 351-353.
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