A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

78 3. O amor – essência da vida comum e princípio da organização da comunidade religiosa O caráter de comunhão do amor sobrenatural não se manifesta apenas no vínculo do homem com Deus, mas também na criação de uma comunidade interpessoal. A concepção da espiritualidade religiosa que surge da leitura dos textos do beato Estanislau Papczyński e da primitiva tradição da Congregação dos Padres Marianos encerra em si não apenas ideais relacionados com a busca individual do amor de Deus e da união com Ele. Um elemento importante é igualmente a visão da comunidade religiosa, congregando pessoas que partilham os mesmos valores e buscam um objetivo que lhes é próprio, com a ajuda de determinados meios. Aqui também o amor sobrenatural ocupa um lugar especial. A visão de uma espiritualidade religiosa abordada nessa perspectiva é claramente apresentada em Norma vitae, nas primeiras constituições dos marianos, escritas pelo Fundador antes ainda do surgimento do primeiro convento, isto é, por volta do ano 1672195. Aponta para isso não apenas a utilização da argumentação teológico-religiosa, que tem por objetivo indicar os objetivos básicos da vida religiosa e os meios para a sua realização, mas também a composição dos diversos capítulos de Norma vitae. De acordo com as orientações do Fundador, o objetivo principal da vida dos marianos, “comum a todas as santíssimas Ordens, [...] deve ser: o maior crescimento da glória divina e o desvelo pela salvação própria, com uma séria busca da perfeição”. E o seu objetivo específico é “difundir a honra da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Mãe de Deus na medida das vossas forças e, com o máximo esforço, piedade e entusiasmo, socorrer pela oração as almas dos fiéis falecidos e submetidos aos castigos do purgatório, especialmente as dos soldados e dos falecidos em consequência da peste”; além disso, também, “humildemente ajudar aos párocos nas tarefas eclesiásticas”196. E o meio básico 195 Cf. K. KRZYŻANOWSKI MIC. Prooemium editoris. In: K. KRZYŻANOWSKI MIC (red.). Norma vitae et alia scripta. Varsaviae, 2001, p. 16. 196 Em razão da importância dos trechos citados, vale a pena que tanto Norma vitae como Statuta sejam citados na versão original: “2. In primis finem vestrae Congregationis diligenter et assíduo expendite; qui sicut omnium sanctissimarum Religionum, ita vester communis debet: maius incrementum divinae gloriae et cum seria ad perfectionem tendentia propriae salutis cura. ‘Quis enim prodest homini’, docente Salvatore, “si mundum universum lucretur, animae vero suae detrimenum patiatur?’ [Mt 16: 26). Ne tamen itiosi stetis in Vinea Domini, cultum Immaculatae Conceptionis electissimae Dei Matris Virginis pro modulo virium vestrarum promovebitis et fidelium defunctorum piacularibus paenis addictorum animabus praecipue militum et peste extinctorum, summo studio, fervore, suffragabimini. 3. Quamquam non prohibebuntur, qui fuerint eiusmodi talentis dotati, parochos in laboribus ecclesiasticis humiliter adiuvare...”. NV I 2-3. Os Statuta em princípio repetem essa abordagem, mudando no entanto a ordem dos objetivos (primeiramente a difusão do culto da Imaculada Conceição, depois “o ensino da doutrina ao povo cristão simples” – ausente nessa forma em Norma vitae – e a ajuda aos falecidos: “In primis finem vocationis suae quisque vestrum quotidie diligenter, et devote

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