A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

74 caso do homem a prova do seu amor deve ser o perfeito cumprimento da vontade divina. Em Inspectio cordis observa ele: “Deus chama de amigos aqueles nos quais vê a vontade em tudo conforme com a Sua vontade, como se vê no ensinamento dado aos Apóstolos: ‘Vós sois meus amigos, se praticais o que vos ordeno’ (Jo 15: 14)”182. A prova extrema da falta do amor a Deus, a negação do cumprimento da vontade divina e ao mesmo tempo a negação da amizade é o pecado. E, da mesma forma que pela conversão e pelo sacramento da penitência o pecador ingressa num relacionamento de amizade com Deus, pelo pecado ele se torna inimigo de Deus. No entanto o autêntico sacramento da amizade com Deus é a Eucaristia, que, sendo ela mesma uma graça dada ao homem, torna- -se “um santo banquete oferecido em grande amizade” ao homem pelo Senhor. E, visto que Deus quer que o homem se aproxime “da santa mesa juntamente com [outros] amigos seus”, a Eucaristia se torna dessa forma também um sinal de comunhão de amizade entre os amigos de Deus183. O Fundador dos marianos estava convencido de que, embora seja verdade que Deus ama todo pecador e que cada um é chamado à amizade com Ele, no entanto sublinha que Ele tem uma amizade especial àqueles que “procuram fielmente imitar a vida de Cristo Senhor”184. Para fundamentar os seus pontos de vista cita o exemplo do Apóstolo S. João, que dá o testemunho a respeito de si mesmo de que foi o discípulo amado (cf. Jo 13: 23; 19: 26; 21: 1), no que o beato Estanislau Papczyński percebe as marcas da autêntica amizade. Aludindo à frase do Evangelho de S. João (cf. Jo 21: 20), fornece as razões dessa excepcional amizade entre Jesus e João, desejando ao mesmo tempo criar a partir dela uma espécie de programa que define as normas de vida de um religioso em amizade com Cristo. Eis que, na opinião do autor de Inspectio cordis, na postura do Apóstolo João podem ser percebidas quatro virtudes especiais, “em razão das quais o Filho de Deus demonstrava o amor ao santo Evangelista”. A primeira é o extraordinário radicalismo do discípulo chamado, o qual, “embora pela idade fosse mais jovem que os outros”, tendo ouvido a voz da vocação “afastou-se das tarefas de pescador, imediatamente seguiu os passos de Jesus e nunca depois quis afastar-se da Sua santa presença”. A segunda causa era “o seu generoso e decidido oferecimento para sofrer com Cristo e por Cristo, para carregar toda cruz”. Na opinião de Papczyński, João expressou essa postura durante a resposta à pergunta feita a ele e a seu irmão Tiago Apóstolo se estavam prontos a beber o cálice que Ele devia beber, quando “respondeu com entusiasmo: ‘Podemos!’ 182 IC, p. 969. 183 Ibidem, p. 744-746, 779-781,847-848. 184 Ibidem, p. 846; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia..., op. cit., p. 60-62.

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