73 zindo-o cada vez mais em Sua vida, inclusive no plano da salvação do mundo. Deus partilha com o homem a Sua sabedoria e os Seus planos, revela-lhe a si mesmo e os seus mistérios. Quer que o homem – amigo de Deus – participe juntamente com Ele na divina obra da salvação, que com Cristo “partilhe o Seu destino”. Aqueles, com efeito, que foram escolhidos para “colaboradores de Cristo, a quem aqui Ele escolheu” devem tornar-se “coerdeiros com Ele no Reino do céu”179. Além do mais, Cristo, Deus-Homem, cuja vida está descrita nas páginas do Novo Testamento, necessita de amigos e da sua presença, e o caminho da Sua imitação visa a amizade com Ele. Papczyński encontra a fundamentação das suas convicções nas descrições dos comportamentos de Jesus quando escolhe os discípulos para Lhe fazerem companhia nos momentos mais importantes da Sua vida, com o que os introduz mais profundamente no vínculo da amizade. Especialmente eloquentes são os acontecimentos relacionados com a oração no jardim das oliveiras e a descrição da transfiguração no monte Tabor, quando Jesus, indo ao encontro com o Pai na oração, “tomou Pedro, Tiago e seu irmão João” (Mt 17: 1; 26, 37). Nesse contexto o autor de Inspectio cordis escreve que o próprio Senhor queria que os Apóstolos por Ele escolhidos vissem a Sua glória e participassem da tarefa de carregar a Sua cruz. Queria Ele também, na opinião do Fundador dos marianos, que em consequência da presença na Sua transfiguração eles se fortalecessem e, com isso, mais tarde juntamente com Ele lutassem com as forças do mal, semeando pelo mundo inteiro a salvífica Palavra de Deus e apontassem o seu Mestre como o Salvador do universo180. É Cristo que ensina a amizade aos Apóstolos; Ele mesmo é o Mestre que os introduz nos caminhos para eles ainda desconhecidos e novos. Papczyński percebe aqui também uma espécie de pedagogia divina, visto que existem mistérios da vida de Cristo que Ele deseja revelar aos discípulos; algumas vezes, no entanto, falta o adequado interesse da parte deles, e por isso “Ele mesmo os censura por não terem aquela santa curiosidade de aprenderem com Ele”181. Para a verdadeira amizade, como observa o Fundador dos marianos, é necessária a reciprocidade no amor. Enquanto da parte de Deus toda ação em relação ao homem é assinalada pelo amor e pela bondade, cuja expressão não é apenas a obra da criação e da salvação, mas também o convite à amizade com Ele, no perdoou o que Lhe devias, devolveu-te a graça, embora disso não fosses merecedor e, antes ainda que pedisses o seu perdão, Ele se esqueceu das tuas indignidades”. Ibidem, p. 801. 179 Ibidem, p. 659. 180 Ibidem, p. 666. 181 Ibidem, p. 711. É preciso observar neste contexto que ambos os primeiros biógrafos (Leporini e Wyszyński), ao apresentarem a vida de Papczyński, apresentam-no como um autêntico e fiel amigo de Deus, que lhe revelava os Seus mistérios e o enviava para cumprir diversas tarefas na Igreja, dentre as quais ocupa um lugar especial a fundação da nova ordem. Cf. Vita Fundatoris, p. 639-640, 648-649; K. WYSZYŃSKI, op. cit., p. 68-69, 74-76, 128-129.
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