69 pimento com o pecado e com as tendências desordenadas da natureza humana, mas também com outras virtudes, especialmente com a “resignatio” e a obediência à vontade divina. Papczyński observa que “a expressão do perfeito amor é a observância da doutrina divina”. “Porque, da mesma forma que os filhos que devotam verdadeiro amor a seus pais procuram cumprir exatamente a vontade deles, também aqueles que, como filhos de Deus, queiram estar entre os amantes do melhor e supremo Pai, devem preocupar-se com a exata observância dos Seus mandamentos. [... ] De ti então vai depender a busca da perfeita união, pela honesta obediência às leis e à doutrina de Deus e daqueles que O substituem”163. Uma condição de união com Deus é também o consciente empreendimento de ações cujo objetivo seja imitar em tudo a Cristo, que veio “para dar cumprimento à Lei e aos profetas” (cf. Mt 5: 17) e, inteiramente dedicado ao Pai, em tudo cumpriu a Sua vontade. Essa etapa caracteriza-se, então, por uma intensiva cristiformização, na qual a conformação da vontade humana com a divina deve ser vista como fundamental, porque “pela conformação (“conformatio”) da nossa vontade com a vontade de Deus abre-se para Ele um amplo e real caminho em direção a nós. Sem tal conformação nem o Filho de Deus teria descido ao seio da Virgem Imaculada. E, se a conformidade com a vontade divina e a resignação da própria abriu a Deus o acesso ao coração humano e fez com que Ele se tornasse homem, da mesma forma Lhe preparará e abrirá o caminho ao teu coração”164. A principal característica do amor sobrenatural no contexto da união, na opinião do Fundador dos marianos, é a busca, por um lado, do “despojamento do homem velho, repleto de paixões e imperfeições (“passionatum, imperfectum”) e, por outro, o “revestimento de Jesus Cristo” para n’Ele se transformar (“in eum transformari”)165. Nesse processo Papczyński atribui um papel especial à Eucaristia, compreendida como o sacramento da união do homem com o Deus Uno e Trino e por isso por ele também chamada de “bodas místicas”, porque na Eucaristia, graças ao Espírito Santo, o Esposo, “o Deus-Homem de certa forma Ele mesmo se encarna” naquele que O recebe166. Em consequência disso, então, na concepção da espiritualidade religiosa do Fundador dos marianos o amor sobrenatural, na perspectiva da união do homem com Deus, assume traços específicos, próprios do simbolismo nupcial, mas com um direcionamento eminentemente 163 IC, p. 723-724. 164 Ibidem, p. 618. Cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Koncepcja życia chrześcijańskiego... , op. cit., p. 34-39. 165 IC, p. 825-826. Cf. S. URBAŃSKI. Zatopieni w Bogu. Mistycy polscy. Warszawa, 1999, p. 77. 166 IC, p. 938-939, 951. A questão da Eucaristia como sacramento de união com o Deus Uno e Trino é abordada igualmente em Templum Dei Mysticum, onde, ensinando a respeito desse sacramento, afirma que na Eucaristia “O Deus da infinita bondade [...] não apenas bondosamente espera por ti, mas até chega a te convocar, para que pela união com Ele possas purificar e santificar o teu interior”. TDM, p. 103.
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