A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

33 Divina, isto é, “o reconhecimento, a veneração e o louvor do Deus onipresente” e que dirige o mundo, visto que Ele está presente “em todas as criaturas, não apenas em [nós] mesmos, visto que é n’Ele que ‘vivemos, nos movemos e somos’” [At 17: 28]27. Tal forma de vida, constata o Fundador dos marianos, faz com que o mistério de Deus e da Sua Providência “jamais desapareça da consciência” do religioso. O ideal da Providência Divina, presente tanto nos escritos como na experiência da fé de Papczyński e na primitiva tradição dos marianos, corresponde bem à situação da República da Polônia daqueles tempos. Nesse período pode-se perceber o interesse geral por esse mistério da fé não somente entre os teólogos, mas quase em toda a sociedade, para o que contribuíram também acontecimentos externos, de maneira especial a guerra contra os suecos em meados do século XVII e a relacionada com ela e milagrosa defesa de Monte Claro, os votos de João Casimiro, a vitória de João III Sobieski em Viena e o período extremamente difícil do século XVIII28. Pode-se aqui falar de certa influência da piedade geral daquele tempo, mas é também fato inegável que Papczyński, em seu caminho pessoal de fé, teve a experiência do providencial amor de Deus, a que deu expressão nos seus ensinamentos e nos escritos destinados à comunidade que ele mesmo fundou. Dessa forma, ao que parece, ele queria partilhar o dom da fé, que lhe permitiu superar todas as dificuldades e adversidades relacionadas com os primórdios da nova comunidade. Uma confirmação especial dessa convicção pode ser a mensagem contida na última frase do Testamento escrito por Papczyński em 1701 em face da morte prevista: “A todos os presentes e a cada um dos meus futuros irmãos e companheiros entrego para sempre a mais maravilhosa Fundação: a Providência do Deus Bondosíssimo”29. Com o tempo, essa experiência de fé passa também à jovem comunidade dos marianos e é por ela percebida no período da chamada dispersão de Rostkov, quando estava seriamente ameaçada a própria existência da Congregação dos Marianos30. Entre os “benefícios gerais” através dos quais se manifesta o amor de Deus para com o homem, em Inspectio cordis Papczyński enumera igualmente “a vo27 NV, V 1. 28 Cf. J. MISIUREK. Tajemnica Bożej Opatrzności w piśmiennictwie filozoficzno-teologicznym doby baroku. In: K. PEK MIC (red.). Patrimonium marianorum. Ojciec Kazimierz Wyszyński (17001755) w kontekście epoki. Warszawa-Lublin, 2003, 25-39. Nowicka-Struska assim caracteriza o período que nos interessa: “A abordagem providencialista era quase que a visão europeia inabalável e dominante da história no século XVII”. A. NOWICKA-STRUSKA. Klio znaczy chwalić. Historia, czasy i ludzie w siedemnastowiecznych pogrzebowych kazaniach karmelitańskich. In: C. GIL (red.). Karmelici bosi w Polsce 1605-2005. Księga jubileuszowa. Kraków, 2005, p. 52. 29 Bł. S. PAPCZYŃSKI. Testamentum Alterum (Testament drugi). In: PZ, p. 1498-1499. 30 Cf. S. SYDRY. Czcigodny Sługa Boży..., op. cit., p. 268-269; B. JAKIMOWICZ MIC. Stabilizacja i rozwój Zakonu w XVIII wieku. In: J. BUKOWICZ MIC, T. GÓRSKI MIC (red.). Marianie 16731973. Roma, 1975, p. 38-41.

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