A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

34 cação à fé católica” e a “vocação ao estado religioso”. Na sua opinião a fé, como “dom e luz” (“donum et lumen”) concedidos “graças ao Espírito Santo”, retira o homem das “trevas da infidelidade” (“tenebrae infidelitatis”) e do “perigo da condenação eterna”, isto é, do “abismo do inferno” (“abyssus infernalis”) e, aliada ao grato amor, ela o conduz à “região celeste e à herança” (“ad caelestem regionem et haereditatem”). Da mesma forma a vocação religiosa, inscrita no caminho da fé e do amor cristão, conduz o homem “do mui perigoso mar do mundo” aos “diletos tabernáculos de Deus” (“dilecta Dei tabernacula”), para ali “levar uma vida mais pura, cair mais raramente, levantar-se mais depressa, arrepender-se com mais frequência, progredir mais depressa, morrer com mais confiança e salvar-se com mais certeza” 31. Na categoria dos “benefícios especiais” como sinais do amor de Deus concedido ao homem, o Fundador dos marianos enumera as “graças cotidianas” através das quais Deus “protege o homem dos pecados”, “estimula às virtudes e às boas ações, ajuda na ação e facilita a sua execução”; além disso, todos os acontecimentos da vida em que o homem experimentou “a ajuda do Deus Altíssimo, o Bondosíssimo Pai e Defensor”, bem como “os dons e os carismas”, as “coisas indispensáveis à vida e que a facilitam” recebidas do “Imensurável e Bondosíssimo Benfeitor”32. A fonte e o sujeito do amor sobrenatural é o próprio Deus33. Deus o revela de muitas formas, especialmente através da Sua ação em relação ao homem, para que ele participe desse amor de tal forma que também ele possa amar a Deus. Por essa razão Papczyński, ao apresentar o catálogo dos “benefícios”, todas as vezes estimula a um “diálogo com Deus” composto de “sentimentos muito profundos, que despertará e extrairá do coração a força da gratidão e do amor” 34. No entanto, tendo consciência de que o amor teológico não é tanto o efeito de esforços humano quanto o fruto da cooperação do homem com o dom do amor, que tem a sua fonte em Deus, continuamente busca formas de estimular os seus discípulos a se voltarem a Ele. Porque afinal, afirma o autor, na vida humana o verdadeiro amor deve possuir o seu fundamento, que é a graça, o dom do Espírito Santo, porquanto “é o Espírito Santo que transforma as almas de pessoas pecadoras em almas repletas de amor a Ele, como o fez com os Apóstolos: quando sobre eles apareceram exteriormente línguas de fogo, interiormente se iluminaram os seus corações”35. Dessa forma, observa Papczyński, também o amor humano comum 31 Cf. IC, p. 790, 940, 983 32 Cf. IC, p. 787-788, 982-985. 33 Esse pensamento foi claramente expresso por Papczyński em Templum Dei Mysticum, onde fala do “amor puro, santo, inflamado, celestial que provém da fonte do eterno Amor”. TDM, p. 1097. 34 Cf. IC, p. 983. 35 IC, p. 727. Vale a pena observar que essa frase no texto latino é a seguinte: “Spiritus namque

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