32 Na tradição mariana, a concepção da Providência Divina ocupa um lugar importante e está relacionada principalmente com a interpretação da vida do Fundador e com a experiência de fé dos primeiros marianos. M. Leporini, ao descrever a vida de Papczyński, principalmente os momentos relacionados com a experiência de variadas dificuldades, informa que ele tinha o costume de “depositar a esperança apenas na Providência Divina”23. Na opinião desse biógrafo, tanto o Fundador como a Congregação contavam com a especial graça da proteção da Divina Providência por concessão do bispo Estêvão Wierzbowski, que aprovou a Ordem na área da diocese de Poznań e durante a sua vida lhe proporcionou assistência, o que deu à nova Congregação a possibilidade do desenvolvimento24. Dessa forma a convicção de que de alguma forma especial Deus vela pela comunidade mariana encontrou-se em todos os trabalhos posteriores relacionados tanto com a Congregação como com a biografia do seu Fundador25. Essa convicção tem sido expressa por praticamente todos os marianos no decorrer da história, o que é visível também nos documentos oficiais da primitiva tradição dos marianos. Os Protocolla dos primeiros conventos de Puszcza Mariańska, do Cenáculo (Góra Kalwaria), de Goźlin ou nos conventos subsequentes fundados com o correr dos anos, encerram o mesmo ideário da presença de Deus em todas as criaturas e acontecimentos, sobre os quais tem cuidado26. Trata-se de certa forma da continuidade da mesma forma de ver providencial, isto é, do “misericordioso, sábio, milagroso amor de Deus” que Papczyński encerrou em seus escritos religiosos, inclusive em Norma vitae, onde uma das recomendações para os seus filhos espirituais é também a contemplação do mistério da Providência 23 Vita Fundatoris, p. 643. 24 Vale a pena lembrar esse relato, visto que entrou definitivamente na historiografia mariana como prova de especial proteção da Providência Divina por lhe ter sido proporcionado o primeiro protetor: “A seguir, visitando pela última vez o seu benfeitor, o bispo de Poznań Estêvão Wierzbowski, e pedindo- -lhe a paternal bênção para si mesmo e para a sua congregação, disse: ‘O que então Vossa Excelência nos deixa em testamento?’. Respondeu o bispo: ‘A Providência Divina’. Imensamente satisfeito por essas palavras, louvou o Senhor e a partir de então começou a recitar duas vezes por dia três pai-nossos e três ave-marias em honra da Divina Providência e ordenou a seus sucessores que fizessem o mesmo. Ibidem, p. 643. 25 Cf. K. WYSZYŃSKI. Żywot Czcigodnego Sługi Bożego Ojca Stanisława od Jezusa Maryi Papczyńskiego. In: Z. PROCZEK MIC (trad. e red.). Stróż duchowego dziedzictwa Marianów. Wybór pism o. Kazimierza Wyszyńskiego. Warszawa-Stockbridge, 2004, p. 75. SYDRY, S. Czcigodny Sługa Boży o. Stanisław od Jezusa Maryi Papczyński i jego dzieło w świetle dokumentów. Warszawa, 1937, p. 205; T. ROGALEWSKI MIC. Stanisław Papczyński (1631-1701). Założyciel Zgromadzenia Księży Marianów. Inspirator mariańskiej szkoły duchowości. Lublin-Warszawa, 2001, p. 266-268. 26 A esse respeito é muito característico o início de Protocollum Balsamensis, onde encontramos as palavras: “A Divina Providência, que com força se estende de uma extremidade a outra e tudo dirige com doçura, e cujos caminhos são os nossos caminhos, desejou ter o pequenino rebanho mariano dedicado à Mãe amantíssima e imaculada não nos limites apenas do Reino da Polônia, onde se encontra o seu ninho, mas estendido por toda a terra”. Protocollum Ordinis Mariani Immaculatae Conceptionis B. V. Mariae [...] conscriptum a P. Fr. Alexio de Octaviano Fischer [...] Anno Domini 1758 (manuscr. AGM).
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