A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

29 criou o homem “à Sua imagem e semelhança”, fornecendo-lhe todos os recursos para responder ao Seu amor, ou seja, “proporcionou-lhe a inteligência” para que compreendesse que Deus é o seu Criador, o “coração” com o qual é preciso amá- -Lo, além da “vontade” para que pudesse “escolher o que quiser, e amar e seguir aquilo que escolher”, bem com a “memória”, para que “meditasse os benefícios que lhe foram concedidos por Deus e se lembrasse de que Ele é o seu Criador”12. Na opinião do autor de Inspectio cordis, o homem, por vontade do Criador, é “a imagem de Deus” e, dentre as demais criaturas, é nele que mais plenamente se manifesta não apenas o objetivo, mas também a causa graças à qual existe toda criatura. Essa causa é o amor13. No mundo criado esse amor é direcionado ao homem, visto que foi em razão dele e por ele que o mundo foi criado14. Na opinião de Papczyński, toda ação criativa de Deus decorre do Seu amor, e da mesma forma também no amor de Deus deve ter a sua fonte toda atividade humana. Moldado à imagem e semelhança do Criador, o homem possui uma estrutura interiormente direcionada para o amor, visto que todos os dons com que Deus o cumulou no ato da criação são a ele direcionados; servem à aceitação do amor que provém de Deus e ao amor de Deus e do semelhante. Tal convicção encontra-se nas bases da concepção da vida religiosa, o que é visível sobretudo em Norma vitae, onde, ao analisar os variados aspectos da vida religiosa, ele incessantemente estimulava a que o “puro amor a Deus” fosse a única motivação de todas as ações. O espectro de tais ações empreendidas “por amor de Deus”, enumerados apenas na Norma vitae, é significativo, a começar pela profissão religiosa, pelos mandamentos divinos e conselhos evangélicos, pelas leis e “por todas as imposições da santa Igreja Romano-Católica”, até o amor dos inimigos, a tolerância das mortificações, das censuras, das injustiças, das calúnias, dos sofrimentos, das penúrias, das dificuldades, etc. Afinal, “por amor a Deus é preciso cumprir tudo que é bom e evitar todo o mal. [...] Pôr em prática toda possível virtude, abominar toda transgressão e pecado”15. Pode-se então dizer que no prow nauczaniu Założyciela i Odnowiciela Zgromadzenia Księży Marianów. Lublin-Warsawa, 1997, p. 1926. 12 IC, p. 982. 13 Cf. A. PAKUŁA MIC. Miłość jako podstawa życia..., op. cit., p. 113. 14 Característica a esse respeito é a “Recollectio IX - De charitate”, em Inspectio cordis: “Deves agora refletir sobre aquela virtude graças à qual surgiu toda a criação: surgiu a terra e o céu, foi criado o homem, Deus se tornou homem e, embora não sujeito ao sofrimento, sofreu num corpo sujeito ao sofrimento e foi cruelmente morto; e, embora imortal, por ti sofreu a morte, não como Deus, mas como homem. Graças a esse amor desceu do céu sobre os Apóstolos e os outros discípulos a Luz Celestial, o Mestre da Verdade e o Espírito de toda sabedoria, para que graças a ela, dentre tantos povos de tão variada origem, como o corpo dos seus diversos membros, fosse edificado o único Corpo da Igreja de Deus e para que tantas santas comunidades, congregações e ordens, unidas por um só Espírito e pelo amor do único Deus, vivessem na máxima unidade”. IC, p. 998. 15 NV, II 3.

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