28 Para o beato Estanislau Papczyński, o amor autêntico, como essência da vida cristã e ao mesmo tempo religiosa, possui um caráter teologal e − como se pode supor – justamente por essa razão e para evitar mal-entendidos, quando em Norma vitae dedica-lhe um capítulo especial, intitula-o: “De charitate”. Esse mesmo título, na versão latina, ele confere à meditação em Inspectio cordis. Dessa forma, como se pode supor, conscientemente ele situa a sua concepção no âmbito dos ideais do Novo Testamento, especialmente da Primeira Carta de S. João (cf. 1Jo 4: 8), que chama Deus de Amor. No entanto o Fundador dos marianos não faz uma análise mais aprofundada dessa frase; muitas vezes, porém, faz alusão a adequados textos bíblicos, definindo também as diversas Pessoas da Santíssima Trindade com o nome de Amor. Dessa forma, Deus é definido como Amor (“Charitas”), e o Seu amor em relação ao homem, principalmente no contexto da pecaminosidade humana, é chamado de “amor do Deus misericordioso”6. O Filho de Deus também “é o próprio Amor” (“qui est ipsa Charitas”) ou “casto Amor” (“castus Amor”)7. Da mesma forma em Regula decem beneplacitorum Cristo é definido como Amor (“Amor”), mas também como “Amante” (“Amator”)8. O Espírito Santo, por sua vez, é “o mais digno de amor” (“Spiritus amabilissimus”), visto que é Ele que completa o coração do homem com o amor de Deus9. Levando em consideração o contexto acima, constata-se que a virtude teologal do amor, na opinião do Fundador dos marianos, significa o amor de Deus, revelado em relação ao homem em todo o decurso da sua história, nos “benefícios universais” e “específicos”, e concedido ao homem como um “dom”10. Na doutrina do beato Estanislau Papczyński, o primeiro “benefício” e ao mesmo tempo como que fundamento de todos os outros “benefícios” é a obra da criação, na qual Deus se manifesta como “a mais perfeita Bondade e Sabedoria, o infinito Amor e Onipotência”11. E, visto que Ele mesmo é Amor, “do nada” concupiscentiae e o amor amicitiae. Faz uma distinção semelhante J. Ch. ADAMOWICZ OSPPE, que viveu um pouco antes, no seu Abecedarium vitae spiritualis explicans, causas, gradus (...) religiosae perfectionis, publicado em Częstochowa (1720). Influências do tomismo podem ser percebidas nas escolas religiosas daquele período, nas quais – especialmente com a exceção da escola franciscana – em geral eram seguidos os princípios de S. Tomás de Aquino (dominicanos, paulinos, cônegos regulares, cistercienses, carmelitas, jesuítas). Cf. M. RECHOWICZ (red.). Dzieje teologii katolickiej w Polsce. Lublin, 1975, t. II, parte 2, passim; J. MISIUREK. Historia i teologia polskiej duchowości katolickiej, t. 1 (w. X- -XVIII). Lublin, 1994, passim. 6 IC, p. 741, 982-984. Cf. A. PAKUŁA MIC. Idea doskonałości zakonnej w “Inspectio cordis” Stanisława Papczyńskiego. Komentarz teologiczno-ascetyczny. In: Bł. S. PAPCZYŃSKI. Wejrzenie w głąb serca. Trad. W. MAKOŚ MIC. Warszawa, 2008, p. 32-34. 7 IC, p. 699, 724. 8 Regula, p. 46. 9 IC, p. 725, 727. 10 Cf. NV II 1; IC, p. 982-985. 11 IC, p. 982; cf. também: T. ROGALEWSKI MIC. Teologiczne podstawy życia chrześcijańskiego
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