266 na espiritualidade polonesa amplamente desenvolvida desse período, que enfatizava firmemente as variadas formas da piedade mariana, com a nitidamente desenvolvida e universalmente aceita escravidão mariana e que (afora poucas exceções) se pronunciava a favor da Imaculada Conceição da SVM. Da mesma forma, encontra-se nitidamente presente a corrente passional da espiritualidade, que se expressava no amplamente desenvolvido culto da paixão do Senhor, no surgimento de calvários construídos a exemplo da Terra Santa (p. ex. Kalwaria Zebrzydowska, Kalwaria Pacławska, Nova Jorozolima), em novas formas de devoção passional popular (p. ex. os cânticos da Quaresma, as procissões penitenciais) e na oratória sacra assinalada pelo passionalismo. Um relacionamento não menor com a situação religioso-social geral pode ser percebido em relação a dois outros elementos da espiritualidade religiosa dos marianos, abordados nas categorias de objetivos específicos do Instituto, isto é, a resposta decorrente da fé ao destino do povo simples e as consequentes ações no sentido de lhe ensinar as verdades da fé, bem como a oração pelos falecidos. Numa época em que, em consequência das guerras, da fome, das epidemias e da consequente crise econômica, violentamente se alastrava a área da miséria moral e material, e a morte fazia a sua colheita, a sensibilidade cristã aos pobres, tanto aos que viviam neste mundo como aos submetidos à purificação após a morte, apresenta as marcas da postura evangélica concretizada na realidade do século XVII e, por essa razão, sempre atual. Portanto não há dúvida de que o ambiente espiritual da época teve uma influência preponderante sobre moldagem das bases da espiritualidade dos marianos e sobre a sua peculiar institucionalização. Constituem uma expressão disso não apenas a própria comunidade e a sua espiritualidade, mas também os escritos de Papczyński até hoje preservados; alguns deles já no seu título encerram o testemunho do ambiente espiritual daquele tempo (p. ex. Laus Deiparae, Triumphus sine originali macula conceptae Magnae Virginis, Christus Patiens, Orator Crucifixus). Ao mesmo tempo, porém, os aspectos da espiritualidade daquela época são assinalados pela experiência pessoal da fé e da reflexão teológica do Fundador dos marianos, o que foi assinalado na presente dissertação. Além disso, Papczyński, querendo ter a sua influência pessoal também sobre a moldagem da face espiritual da sociedade em espírito católico, propunha os seus próprios ideais espirituais, expressos nas categorias teológico-simbólicas como o ideal da vocação universal à santidade (Templum Dei Mysticum); sem dúvida, uma expressão de tais aspirações são igualmente as suas ações de Fundador. No contexto acima, portanto, pode-se falar de uma escola mariana de espiritualidade, que é − no sentido amplo da expressão – representativa da escola polonesa da espiritualidade. À luz das pesquisas realizadas, o beato Estanislau Papczyński apresenta-se como um dos mais eminentes teólogos da espiritualidade do século XVII, e os seus escritos serviram de fonte básica para a dissertação.
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