265 Na convicção do beato Estanislau e segundo a primitiva tradição mariana, todas as dimensões do ativo ministério na Igreja e para a Igreja surgiram em consequência de extraordinárias graças concedidas ao Fundador dos marianos com o objetivo de fundar um novo Instituto. Além disso, os documentos analisados são unânimes em enfatizar que a própria vida religiosa, desde que seja levada pelos religiosos de acordo com a espiritualidade do Instituto e as exigências dos estatutos, e desde que resulte de um autêntico amor a Deus, já possui um caráter evangelizador e, como tal, é um claro testemunho do reino celestial. O beato Estanislau Papczyński, bem como os autores de outros documentos analisados, na apresentação dos seus pontos de vista basearam-se principalmente nos textos da Sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento. Os mais frequentemente citados são os Salmos, o Evangelho segundo S. Mateus, S. Lucas e S. João. Dentre os escritores eclesiásticos, o mais citado é S. Agostinho, inclusive com a alusão à sua regra em Norma vitae. Além disso, nos escritos religiosos há referências a alguns Padres da Igreja, p. ex. Tomás de Kempis (Imitação de Cristo), S. Teresa de Ávila, S. Catarina de Sena. É preciso observar que, diante das relativamente raras alusões, nos escritos analisados, a outros autores e da restrição basicamente à Sagrada Escritura, nas outras obras de Papczyński, com o objetivo de confirmar as teses apresentadas, ocorre certa superabundância de citações dos Padres da Igreja e de autoridades por ela reconhecidas, inclusive de escritores dele contemporâneos (p. ex. Gaspar Drużbicki SJ, João de Jesus e Maria OCD). Pode-se então supor que os pontos de vista dos citados autores, especialmente os de S. Agostinho, tiveram certa influência sobre a concepção da espiritualidade religiosa analisada na dissertação. Além disso, parecem estar presentes também certos traços da espiritualidade franciscana (ênfase à pobreza e influência da Regula decem beneplacitorum) e inaciana (especialmente a concepção da oração). Importa observar também que, além do ideal da máxima pobreza (“summa paupertas”), propriamente não se percebem alusões teológico-espirituais à espiritualidade escolápia; essas alusões estão mais nitidamente presentes no âmbito das soluções organizacionais e legais da nova comunidade (sobretudo a mesma forma de Instituto e algumas soluções em Norma vitae). Simplificando-se um pouco, pode-se supor que isso decorre da falta geral de uma espiritualidade sistematicamente elaborada do clero regular, inclusive das Escolas Pias. Finalmente, é universalmente perceptível a influência das principais correntes da espiritualidade polonesa do tempo em que surgiu o Instituto. Nesse contexto, vale a pena referir-se a questões mais gerais, a saber, ao surgimento da Congregação dos Padres Marianos e às opiniões sobre a sua representatividade para a escola polonesa da espiritualidade. De imediato torna- -se necessário observar que a fundação, pelo beato Estanislau, de um Instituto de caráter mariano-imaculatista, encerrado no seu título, realizou-se com base
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