A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

264 gélicos passaram dos Apóstolos aos religiosos”. Basicamente percebe-se uma dupla fundamentação dos votos: por um lado, como uma escolha positiva de Deus e das Suas causas (castidade – realização do amor e vida somente por Deus; pobreza – escolha de Deus como o Supremo e Único Bem e obediência – cumprimento da vontade do Pai); por outro, como uma oposição às realidades do pecado e do espírito deste mundo, (castidade – concupiscência da carne, pobreza – concupiscência dos olhos, obediência – orgulho desta vida, veja 1Jo 2:16). Como um sinal do primado de Deus e da Sua graça, os votos são apresentados ao mesmo tempo de forma muito prática, incluindo normas bastante detalhadas que regulam as questões dos contatos inter-humanos, o relacionamento superior- -subordinado, as regras de posse e de utilização dos bens, etc. De modo geral, na convicção de Papczyński os meios de formação espiritual devem servir ao religioso no aprofundamento da sua relação com Cristo, no crescimento do amor sobrenatural, na obtenção de uma liberdade cada vez maior no serviço à Igreja e − em certo sentido – também na recriação de um estilo apostólico de vida. A localização, pelas fontes marianas básicas, da espiritualidade religiosa no interior da vida da Igreja é uma expressão da consciência, não apenas do Fundador dos marianos, de que essa espiritualidade é uma das formas de expressão do cristianismo, mas – sobretudo – de que o carisma da vida religiosa se encontra a serviço da Igreja. É preciso também observar que a descrição da vida dos primeiros cristãos, presente nos Atos dos Apóstolos (At 4:32), em que “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”, é localizada por Papczyński em Norma vitae como a imagem ideal da “Igreja primitiva” (“Ecclesia primitiva”) e recomendada como um modelo de vida para a comunidade mariana. A compreensão do mistério da Igreja nas categorias tradicionais (pós-tridentinas), bem como a adição de definições bíblicas da Igreja como “Corpo”, raramente utilizadas no século XVII, animou significativamente a sua imagem e adicionou-lhe um calor peculiar; enfatizou igualmente o caráter relacional da comunidade eclesiástica e a sua unidade com Cristo no Espírito Santo. Tudo isso com certeza teve certa influência na fundação de um Instituto religioso apostólico, cujos objetivos específicos eram, além da difusão do culto da Imaculada Conceição, a instrução cristã do povo simples e a ajuda aos falecidos, especialmente às vítimas das guerras e das epidemias. É preciso também observar que tanto nas primeiras biografias de Papczyński como na posterior tradição mariana torna-se nitidamente perceptível a amorosa saída ao encontro das pessoas pobres e simples, não apenas para lhes anunciar o Evangelho numa linguagem a elas compreensível, mas também para desenvolver a atividade caritativa (esmola, asilos para os pobres, etc.). No propósito de Papczyński, também o “suffragium defunctorum” é um ato de amor cristão assinalado pelo desinteresse, direcionado aos filhos mais pobres da Igreja que, submetidos à purificação, “não podem ajudar a si mesmos”.

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