A espiritualidade religiosa segundo Es Papczynski

263 interior do que a exterior (não obstante a opinião de alguns historiadores da espiritualidade, p. ex. de K. Górski). No caso das instruções a respeito da teoria e da prática da oração, pode- -se perceber certa influência das concepções inacianas, especialmente quanto à aplicação dos sentidos e esforço da vontade. Essa situação pode testemunhar a influência de alguns anos de estudos de Papczyński em colégios jesuítas em Lvov e em Rawa Mazowiecka (anos 1650-1654), embora não seja excluído que se trate do resultado da situação geral da espiritualidade do século XVII, quando o método inaciano de meditação, inclusive a sua adoção para a meditação da paixão do Senhor, se encontrava universalmente difundido. O que impressiona nas opiniões de Papczyński sobre a oração é a sua interpretação da tradicional tensão entre a contemplação e a ação; da análise dos seus escritos resulta que ele expressa antes o elogio da vida ativa, vendo nela uma forma evangélica de vida, própria de Cristo e dos Apóstolos. Na abordagem dos sacramentos, transparece a primazia da Eucaristia. A caracterização do sacramento da penitência é assinalada por alusões ao batismo, que têm por objetivo demonstrar o amor providencial de Cristo ao pecador. A confissão é a “fonte, na qual se lavam todas as indignidades”. As normas disciplinares para os religiosos (frequência da confissão, etc.) e o contexto da apresentação da Penitência demonstram que ela era compreendida sobretudo no contexto da Eucaristia e, especialmente, da santa Comunhão. Por sua vez as apresentações da Eucaristia distinguem-se por uma riqueza teológico-ascética e pela diversidade dos símbolos, que têm por objetivo aprofundar o mistério da presença de Cristo sob as espécies do pão e do vinho e preparar adequadamente o religioso para recebê-Lo. Preocupado em apresentar a Eucaristia de acordo com a doutrina católica pós-tridentina, Papczyński a envolve em diversos símbolos dignos de atenção, p. ex. como um santo banquete divino (“sacrum Dei convivium”) ou como bodas místicas (“mysticae nuptiae”) com o imortal Esposo. Considerando-se a frequência e a qualidade das alusões à Eucaristia, não há dúvida de que ela é vista como o centro da vida religiosa, junto com a abordagem nitidamente individualista que direciona o religioso à recepção da santa Comunhão. As representações acima são ao mesmo tempo assinaladas pelo anseio de despertar a fé na viva e verdadeira presença do Cristo todo, no Seu amor que incessantemente se doa na Eucaristia e estimula à união com Ele. Por sua vez a apresentação dos votos religiosos é nitidamente cristológica. Eles são apresentados como a mais perfeita forma de vida cristã, cujo protótipo é representado por Cristo e pelos Apóstolos. A concepção dos votos, especialmente a da castidade, é assinalada por marcas nupciais, e a própria forma de vida segundo os conselhos evangélicos, extraída por Papczyński do Evangelho, é definida como apostólica, visto que “pela lei da herança, os conselhos evan-

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