260 com uma atenção um tanto menor dedicada à iluminação (em grande medida restringindo-se apenas ao desenvolvimento das virtudes) e uma análise relativamente estreita do período da união, concentrando-se na atenção toda voltada à amizade com Deus, união com Ele e conformidade da vontade, assimilação a Cristo, contemplação, etc. No entanto, questões características desse período, tais como a contemplação infusa, a purificação passiva do espírito ou ainda as graças especiais não surgem nos escritos analisados. Na dimensão comunitária, a “charitas” torna-se uma espécie de norma reguladora da vida dos religiosos e de todos os seus relacionamentos, manifestando ao mesmo tempo o seu caráter unitivo. Parece que esses pontos de vista do beato Estanislau, nos quais ele aplicada a “charitas” à vida social dos religiosos, provocaram uma clara sensibilização ao relacionamento mútuo, o que é visível nos documentos da primitiva tradição mariana: a tonalidade das atas do primeiro Capítulo Geral, de 1685, distingue-se pela solicitude por uma boa e “harmoniosa convivência pelo bem da Congregação”, assinalada pelo amor e pelo perdão, e as decisões capitulares de 1725 recomendam a realização anual de um ato de reconciliação comunitária (“deprecatio mutua”). A localização, pelo beato Estanislau Papczyński, da espiritualidade religiosa no contexto trinitário, por um lado provoca a sua ancoragem na ampla corrente do cristianismo e, por outro lado, aprofunda-a teologicamente. De imediato se torna necessário observar que nos documentos analisados ocorrem alusões tanto à Santíssima Trindade como às específicas Pessoas Divinas. Essas referências trinitárias utilizam como sua fonte originária sobretudo os textos do Novo Testamento; caracterizam-se por uma característica histórico-salvífica e cristológica, e o objetivo dessas referências pode ser definido como teológico-espiritual, isto é, tendo como tarefa despertar a fé e induzir a um próximo e amoroso vínculo com as Pessoas da Santíssima Trindade. O elemento dominante é a concentração da espiritualidade na Pessoa de Jesus Cristo (muitas vezes visto nas categorias passionais), apresentado como a norma evangélica e a fundamentação da vida religiosa (“ad normam Christi existere”), tanto na Sua Divindade como na Sua Humanidade, “na Sua ação e no Seu sofrimento”, no filial amor ao Pai e no salvífico e sofredor (“Christus Patiens”) amor ao homem. Os textos bíblicos citados, a rica alegoria e o simbolismo têm por tarefa apresentar Cristo como um constante ponto de referência, como um Mestre que se encontra próximo do discípulo, que a exemplo dos Apóstolos segue os Seus passos (“sequela”) e é por Ele conduzido. Esse relacionamento deve conduzir à familiaridade com Cristo e à assimilação a Ele, bem como introduzir numa viva relação com Deus Pai e com o Espírito Santo, a exemplo de Cristo. Com esse nitidamente desenvolvido cristocentrismo, Papczyński dedica bastante espaço à Pessoa do Espírito Santo, apresentado o Paráclito como o autor da vida religiosa (o que no contexto
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