259 Sem dúvida, o pensamento comum que integra pela base todas as áreas da vida religiosa é o ideal do amor sobrenatural (“charitas”), entendido por Papczyński de forma diversificada e cumprindo a função de uma espécie de principium da espiritualidade: do seu fundamento, da sua fonte, do seu objetivo e também de uma espécie de meio de atingir os objetivos da vida religiosa; no aspecto pedagógico, desempenha também tarefas motivacionais. Distinguem-se por uma grande originalidade sobretudo os estatutos religiosos (Norma vitae), cuja construção se caracteriza por uma abordagem raramente encontrada da vida religiosa no contexto do amor. Na dimensão teológica a “charitas” possui a sua fonte em Deus, é concedida ao homem através da graça, no Espírito Santo, e como tal torna-se o princípio tanto da convivência com Deus e de união com Ele como o vínculo das relações inter-humanas, conferindo-lhes marcas sobrenaturais. Uma imagem perfeita do que é a “charitas” foi apresentada por Cristo; um exemplo igualmente importante é a Imaculada Santíssima Virgem Maria. A “charitas”, como uma espécie de projeto de vida religiosa, possui implicações não menos importantes tanto na dimensão individual como na comunitária. O crescimento do religioso na “charitas” é compreendido pelo Fundador dos marianos nas categorias dos três caminhos do desenvolvimento da vida religiosa: purificação, iluminação e união. Essa abordagem, embora clássica na teologia da espiritualidade e presente também na literatura do século XVII (p. ex. C. Dobrosielski OFM, J. Kwiatkiewicz SJ), traz, no entanto, as marcas pessoais de Papczyński, o que diz respeito sobretudo à categoria da “resignatio” apresentada nas categorias de uma virtude. A virtude da “resignatio”, extraída da postura de Cristo, é uma espécie de manifestação do avanço na vida religiosa própria do período da iluminação. Expressa a total escolha de Deus e das Suas causas e a total entrega a Ele em tudo; distingue-se por uma espécie de “subordinação”, “submissão”, “entrega” de tudo que se encontra fora de Deus, com a simultânea fascinação por Ele e a reorientação das aspirações básicas do ser humano. A junção da “resignatio” com a “conformitas” (identificação da vontade humana com a vontade divina) e com a “abnegatio” (o ideal bíblico da abnegação e da renúncia a si mesmo) faz com que essa virtude deva expressar a postura de uma liberdade interior dos filhos de Deus a exemplo do Encarnado Filho de Deus e a entrega aos propósitos divinos, sobretudo àqueles assinalados pela cruz e pela noite da fé; por esse motivo a “resignatio” é uma condição necessária da cristiformização. Neste ponto é preciso observar de imediato que, infelizmente, a tradução para a língua polonesa, onde essa palavra é quase todas as vezes traduzida de forma diferente, tem provocado a perda do conteúdo e da mensagem que nela encerrou Papczyński. As outras etapas da vida espiritual são abordadas em princípio da forma geralmente adotada na teologia da espiritualidade, embora seja preciso observar que se torna visível um significativo destaque da etapa da purificação,
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